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O que é um projeto urbano transformador?
Bogotá, Colômbia

Cidades em todo o mundo, como Bogotá, estão mudando rapidamente. Mas como assegurar que essa mudança seja positiva e transformadora? (Foto: Dominic Chavez/World Bank)

Este post foi escrito por Anne Maassen e Terra Virsilas e publicado originalmente no TheCityFix.  

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O Prêmio WRI Ross para Cidades busca a resposta para uma pergunta que todas as cidades fazem: como realizar uma mudança positiva, duradoura e de larga escala no ambiente urbano?

Depois de encerradas as inscrições, essa busca ajuda a entender melhor como mudanças transformadoras acontecem – e como repeti-las. Foram submetidas mais de 180 propostas de 115 cidades dos seis continentes – de Antofagasta, no Chile, a Zhytomyr, na Ucrânia. Esses projetos variam tanto nos tipos de soluções propostas quanto em relação aos problemas para os quais elas foram pensadas, indo de grandes mudanças de infraestrutura a ações locais em pequenas comunidades e alterações de políticas em diferentes setores urbanos.

Selecionar os finalistas e o vencedor de um grupo tão diverso será uma tarefa difícil. Por isso, a metodologia por trás da avaliação é crucial: para definir o vencedor, os jurados partirão de um trabalho de pesquisa crescente em mudanças urbanas transformadoras, conduzidas pelo WRI Ross Center. O projeto vencedor deve mudar de forma significativa o bairro e, idealmente, a cidade como um todo. O Prêmio busca impacto, e não apenas intenção ou aspiração.

Assim, quatro perguntas são pertinentes:

O projeto melhora a vida das pessoas?

A maneira mais simples de saber se as cidades estão mudando para melhor é procurar por sinais de que a qualidade de vida está aumentando e os moradores estão mais felizes e satisfeitos no lugar onde vivem. Intervenções verdadeiramente transformadoras – mudanças drásticas, duradouras e de larga escala – não acontecem com frequência em um mundo onde muitas cidades encontram-se presas pelo trânsito, debilitadas pelo déficit habitacional e incapazes de levar serviços urbanos básicos a uma população urbana crescente.

Diversos indicadores ambientais, econômicos e sociais comprovam esse cenário e estão presentes em diferentes pesquisas e avaliações de projetos. Em São Paulo, por exemplo, os Indicadores de Referência de Bem-estar no Município mostraram que a percepção geral de qualidade de vida aumentou para um terço da população em 2015, com base em uma pesquisa com mais de 1.500 pessoas sobre diferentes aspectos da vida na cidade, como saúde, educação, meio ambiente, habitação, trabalho e transporte.

O projeto ajudou a cidade a atingir uma mudança positivo?

Transformações urbanas podem se desenrolar sem serem percebidas por longos períodos tempo, mas uma forma certeira de saber se estão acontecendo é observar os momentos decisivos que indicam que um ponto de “ruptura” foi alcançado.

Um exemplo desse tipo de marco foi a transição da taxa de mortalidade nas cidades dos Estados Unidos na década de 1940, quando pela primeira vez passou a ser mais saudável viver nas áreas urbanas do que nas rurais, devido a avanços em saúde pública, obras e na medicina. Outros exemplos incluem a mudança de fossas para esgoto no século XIX, o Energiewende da Alemanha pós Fukushima e a implementação bem-sucedida da taxação de congestionamentos em Londres. O último exemplo teve início em 2003 e gerou resultados rápidos, inspirando outras cidades a replicar a medida. O que nos traz a outra questão importante:

A mudança positiva se espalhou para outras cidades?

Boas ideias tendem a se propagar. Esse foi o caso da infraestrutura em rede, adotada em muitas cidades europeias e estadunidenses nos séculos XIX e XX, e agora das soluções descentralizadas – celulares, distribuição de água e saneamento, energia solar local –, que estão ultrapassando a implantação de infraestrutura centralizada na África. O mesmo pode ser observado em relação a programas de bicicletas compartilhadas, dias sem carro e muitas outras tecnologias e serviços da Nova Mobilidade.

O Prêmio WRI Ross para Cidades quer conhecer o alcance espacial e temporal das propostas e entender se projetos transformadores geram impacto para além do local inicial de implementação, transcendendo a duração de ciclos políticos e de financiamento.

E aqueles que foram impactados de forma negativa?

A urbanização não planejada e não gerenciada muito provavelmente impactará de forma negativa certas famílias, comunidades ou ambientes. Onde há vencedores, com frequência há também perdedores. Quando as cidades mudam para melhor, os efeitos positivos superam os negativos, e medidas de mitigação são postas em prática para diminuir o ônus sobre os afetados.

Impactos negativos podem incluir a necessidade de realocação de moradores, com tudo o que isso implica, como acesso precário a serviços, habitação mais cara e de menor qualidade e piores condições de saúde. Já as comunidades podem ser negativamente impactadas por um crescimento repentino da população, redução da coesão social ou pela queda de produtividade em determinados grupos.

Com os projetos submetidos ao Prêmio, esperamos identificar quem pode ser afetado por externalidades negativas como essas e quais as medidas de compensação planejadas.

Construindo conhecimento e inspirando mudanças

O Prêmio WRI Ross para Cidades avaliará a transformação urbana em toda a sua diversidade. Isso implicará desbravar novos caminhos, uma vez que não há metodologias amplamente consolidadas para esse tipo de avaliação. Alguns aspectos podem parecer quase impossíveis de se avaliar, como a relação entre as transformações urbanas tecnológicas e mudanças políticas ou econômicas ou os impactos de um projeto em relação ao seu próprio tamanho e ao tamanho do problema busca solucionar.

Até outubro, selecionaremos algumas dezenas de semifinalistas que passarão por uma avaliação mais crítica e detalhada, da qual sairão cinco finalistas. Estes cinco projetos serão apresentados aos jurados do Prêmio, selecionados por sua liderança urbana visionária, e por fim o vencedor será anunciado em abril de 2019.

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