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As transformações previstas para o mundo urbano até 2050

Índia é um dos países com maior projeção de crescimento (foto: Aashim Tyagi/ WRI India)

As projeções para o mundo urbano foram atualizadas. Em maio, a Organização das Nações Unidas divulgou uma nova edição do World Urbanization Prospects, relatório que lança um olhar aprofundado para os centros urbanos do planeta, com a seguinte conclusão: 68% da população mundial viverá em cidades até 2050. A estimativa é 2% maior em relação ao último estudo, publicado em 2014, da série sob responsabilidade do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (Desa).

O fenômeno é bastante conhecido e se deve ao crescimento populacional e ao deslocamento de uma grande parte da população para as zonas urbanas. A população rural vem crescendo vagarosamente desde 1950 e corresponde hoje a aproximadamente 3,4 bilhões de pessoas. Espera-se que esse número cresça lentamente e então caia para 3,1 bilhões em 2050.

Hoje, África e Ásia respondem por 90% das pessoas que vivem em zonas rurais. É justamente nos países destes continentes que se prevê uma urbanização de caráter exponencial. Juntos, China, Índia e Nigéria serão responsáveis por 35% do crescimento previsto para a população urbana até 2050. Preparar as cidades para tal crescimento se torna mandatório para garantir a sustentabilidade e atingir metas climáticas como os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e os preceitos estabelecidos na Nova Agenda Urbana.

É a partir do planejamento para essa urbanização em massa que John Wilmoth, diretor do Desa, espera que o mundo em cidades seja melhor do que no meio rural, já que as populações urbanas têm maior acesso a saúde e educação. Também segundo Wilmoth, é economicamente mais viável prover serviços básicos para as pessoas nas cidades.

E o Brasil?

O Brasil já passou por uma urbanização rápida durante a metade do último século e a proporção de pessoas vivendo em cidades passou de 36% em 1950 para 87% atualmente. A ONU projeta que em 2050, essa proporção chegará a 92,4%.

Na comparação com o resto do continente, a urbanização no Brasil foi mais rápida do que na América Latina a partir de 1992:

Porcentagem da população urbana por região (fonte: ONU)

Enquanto no mundo espera-se que a população rural ainda cresça por alguns anos, no Brasil há uma queda constante desde os anos 1970:

Comparação entre a população rural (verde) e urbana (vermelha) (fonte: ONU)

Outra projeção interessante é sobre as grandes cidades brasileiras. Atualmente, duas Regiões Metropolitanas têm 10 milhões de habitantes ou mais, no caso São Paulo e Rio de Janeiro, e uma tem entre cinco e 10 milhões (Belo Horizonte). Em 2030, espera-se que outro conglomerado urbano ultrapasse a marca de cinco milhões de pessoas (cinco Regiões Metropolitanas tem populações entre 3,9 e 4,2 milhões: Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Fortaleza e Salvador – qual delas será que chegará primeiro aos cinco milhões?):

Projeção de grandes cidades no Brasil (fonte: ONU)

As megacidades

Tóquio é o maior conglomerado urbano do planeta, segundo o relatório, com 37 milhões de habitantes, seguido de Nova Délhi com 29 milhões e São Paulo e Cidade do México com cerca de 22 milhões.  A população de Tóquio tende a diminuir, enquanto em Nova Délhi continuará a crescer: em 2028 a cidade indiana deverá ser a mais populosa do planeta.

O estudo projeta que até 2030 serão 43 megacidades com mais de 10 milhões de habitantes, a maioria em países em desenvolvimento. No entanto, a maior parte dos aglomerados urbanos que sofrerão crescimento exponencial serão cidades com menos de um milhão de habitantes, na Ásia e na África.

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