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Como três cidades estão encarando a transição para ônibus elétricos

Este post foi escrito por  e publicado originalmente no The City Fix.

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Tendo em vista que as áreas urbanas de hoje reúnem mais da metade da população mundial e produzem mais de 80% da atividade econômica global, as cidades estão posicionadas de forma única para oferecer soluções sustentáveis. No entanto, a má qualidade do ar e as questões relacionadas com as mudanças climáticas estão afetando negativamente a vida de milhões de pessoas. Mas existem soluções promissoras – as cidades estão se voltando cada vez mais para ônibus de baixa ou nenhuma emissão com o objetivo de diminuir os impactos ambientais ao mesmo tempo em que criam benefícios econômicos, ambientais e de saúde, por exemplo. Realizar a transição para frotas de ônibus com tecnologias limpas também pode melhorar a qualidade do serviço e reduzir os custos a longo prazo. Então, por que nem todas as cidades estão abandonando o diesel e investindo no elétrico?

Para entender melhor essas questões e avaliar as barreiras que as cidades enfrentam ao investir em ônibus elétricos, a Iniciativa de Financiamento de Cidades Sustentáveis (IFCS) entrevistou três especialistas em três cidades diferentes que passaram por esse processo, cada um com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos moradores e o ambiente urbano.

Santiago, Chile

Em Santiago, no Chile, Carlos Melo, vice-secretário de transportes do governo do Chile, explica como a baixa qualidade do serviço, os altos níveis de poluição e o compromisso daquele país de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 30% até 2030 levaram a cidade a investir em ônibus elétricos. A cidade vê os ônibus elétricos como uma oportunidade para cumprir com os objetivos climáticos e diminuir a poluição do ar, alcançando múltiplos objetivos ao mesmo tempo.

“O maior desafio é a falta de confiança dos operadores em relação à nova tecnologia”, diz Melo. Construir confiança nessas novas tecnologias, criando incentivos para incentivar os operadores a abraçar a ideia, é um desafio que as cidades de todo o mundo enfrentam.

Bangalore, India

O número de veículos motorizados em Bangalore está aumentando dramaticamente, contribuindo para o congestionamento e a poluição do ar na cidade, que tem mais de dez milhões de habitantes. A má qualidade do ar é a preocupação principal para Ekroop Caur, secretário de finanças do estado de Karnataka. Caur enfatiza a necessidade de avançar diretamente para as tecnologias elétricas, em vez de “passar de um combustível para outro, ou de uma tecnologia para outra um pouco melhor”. Essas tecnologias são o “futuro de todo o setor de mobilidade”.

Para diminuir o encargo financeiro para a cidade, Bangalore planeja usar um modelo de aluguel de ônibus, em vez de comprar de forma direta, o que diminui o custo total de propriedade.

Londres, Reino Unido

Todos os anos, cerca de dez mil pessoas morrem pelos efeitos de longo prazo da poluição do ar em Londres. Richard Harrington, diretor de engenharia do GoAhead London, destaca a urgente necessidade de reduzir as emissões na cidade. Em 2019, Londres implementará uma zona de ultrabaixa emissão dentro da qual a maioria dos veículos precisará cumprir rigorosos padrões de emissões de gases ou pagar uma taxa diária. Além disso, haverá 12 corredores em que os veículos serão obrigados a cumprir os padrões de emissão Euro 6 da União Europeia.

“Qualquer cidade do mundo pode passar a usar tecnologias de ônibus elétricos”, diz Harrington, apontando a necessidade de planejamento, preparação e alto nível de coordenação entre lideranças da cidade, fabricantes de veículos e fornecedores de energia como componentes importantes para o sucesso.

Embora se esforcem pelo o mesmo objetivo, cada cidade enfrenta barreiras distintas. Muitos projetos de desenvolvimento sustentável, de ônibus elétricos a bicicletas compartilhadas até edifícios mais eficientes em termos de energia, ficam paralisados por falta de financiamento, de expertise técnica ou necessidade de maior coordenação entre diferentes agências do setor público e privado. A Iniciativa de Financiamento de Cidades Sustentáveis está ajudando as cidades a enfrentarem esses desafios, alinhando ideias e implementação através do desenvolvimento de modelos de negócios inovadores e identificando os ingredientes parta projetos urbanos sustentáveis de sucesso pelo mundo.

A Iniciativa de Financiamento de Cidades Sustentáveis (FSCI), financiada pela Citi Foundation, é uma parceria entre o WRI Ross Center  e o C40 Cities Climate Leadership Group que ajuda as cidades a acelerar e ampliar os investimentos em soluções urbanas sustentáveis através do desenvolvimento de negócios inovadores modelos.

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