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Carrocentrismo: um modelo excludente e insustentável
Transporte individual dominando as pistas. Transporte coletivo em um canto. (Foto: Tak H./Flickr-CC)

Transporte motorizado individual dominando as pistas. Transporte coletivo em um canto. (Foto: Tak H./Flickr-CC)

Não andamos bem nas nossas cidades. Seja a pé, de bicicleta, de transporte coletivo ou mesmo de moto ou carro. Gastamos cada vez mais tempo, energia e recursos para cumprir os deslocamentos do dia a dia. E não só isso: esse é um modelo que tem aumentado também a poluição do ar e o número de fatalidades em acidentes de trânsito com vítimas e comprometido severamente a qualidade de vida e a saúde das pessoas.

Ou mudamos o modo como nos deslocamos, através de escolhas que invertam as prioridades, ou assistiremos aos problemas de mobilidade se agravarem, reduzindo a produtividade das cidades e comprometendo progressivamente parte de suas riquezas na remediação ou mitigação. Trata-se de um modelo socialmente excludente e insustentável no médio e no longo prazo. Esse atual modelo é o modelo “carrocêntrico”.

O modelo carrocêntrico direciona a atenção e os investimentos prioritariamente ao transporte individual. Desdobra-se em ações de alargamento, extensão e sobreposição de vias, mas não consegue vencer a crescente taxa de motorização, inclusive entre a população com as faixas de renda mais baixas. A equação “mais vias, mais carros” mostra-se quase sempre negativa. Resulta em menos mobilidade, mais congestionamentos e deseconomias.

Romper com essa lógica é inadiável. A conta é simples: em uma faixa de rolamento de 3,5 metros de uma via urbana, podem passar, no máximo, 1.350 carros no período de uma hora. No mesmo período, poderiam passar dez vezes mais pessoas de ônibus, a pé ou de bicicleta.

Há algumas máximas a perseguir na reversão do modelo vigente. Evitar os deslocamentos de carro, trocando o transporte individual pelo coletivo, utilizando as inovações tecnológicas a favor do usuário, tornando o sistema de transporte cada vez mais eficaz, com viagens otimizadas e confiáveis. Isso só será possível se o transporte coletivo de qualidade for o elemento central e orientador do desenvolvimento urbano. Sem isso, nossas cidades vão travar.

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Vicente Loureiro é diretor executivo da Câmara Metropolitana de Integração Governamental do Rio de Janeiro.

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