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Como as cidades podem aproveitar o melhor – e evitar o pior – do movimento da Nova Mobilidade

São claras as oportunidades para integrar os novos serviços de mobilidade aos já existentes sistemas de transporte urbano. (Foto: Wall Boat/Flickr)

São claras as oportunidades para integrar os novos serviços de mobilidade aos já existentes sistemas de transporte urbano. (Foto: Wall Boat/Flickr)

Este post foi escrito por Ani Dasgupta* e publicado originalmente em inglês no TechCrunch.

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Alguns meses atrás, manchetes dos noticiários de Londres anunciavam que o popular aplicativo Uber havia perdido sua licença para operar na cidade. A extensa cobertura midiática dada ao fato indicou mais um sinal, se ainda precisamos de mais deles, de que estamos à beira de uma revolução da mobilidade urbana.

Sistemas de navegação, carros e bicicletas compartilhados, aplicativos de planejamento de viagens e outros serviços inovadores que aproveitam os avanços da comunicação móvel, pagamentos sem dinheiro físico e monitoramento remoto estão vendo sua popularidade aumentar no mundo todo. Os usuários prezam – e em muitos lugares passaram a depender – da conveniência e flexibilidade que esses serviços oferecem a uma grande variedade de preços. Ter o mais básico smartphone hoje significa que ir ao trabalho, buscar entretenimento ou ir para o aeroporto às 5h da manhã é tão fácil quando tocar na tela do aparelho.

Diante dessa nova onda de opções de transporte possibilitada pelas tecnologias móveis e de rede, no entanto, muitos governos locais enfrentam dificuldades para se adaptar. Os críticos apontam corretamente que as questões com regulamentações, segurança e congestionamentos estão longe de serem resolvidas. As avaliações multibilionárias ou o potencial massivo de vagas de trabalho possibilitam manchetes empolgantes, mas obscurecem as possibilidades reais da revolução da mobilidade urbana.

Simplificando: a nova mobilidade pode ser empolgante por si mesma, mas é nos pontos em que pode ser combinada às opções de transporte já existentes que seu potencial se torna realmente transformador.

De fato, existem claras oportunidades para integrar os novos serviços de mobilidade aos já existentes sistemas de transporte urbano tendo em vista serviços mais acessíveis, convenientes e ecologicamente corretos para todos. Mais de 70 cidades já estão formando parcerias com novos serviços privados de mobilidade, em parte para reforçar as ofertas de transporte público, mas também para amenizar as pressões do crescente custo e envelhecimento dos sistemas e o rápido crescimento do número de passageiros.

As cidades e seus habitantes podem se beneficiar dos novos serviços de mobilidade – desde que sejam capazes de entender e evitar os possíveis problemas. Na primeira pesquisa global sobre os novos serviços, liderada pela Coalition for Urban Transitions, as análises mostram como as cidades podem avaliar novas opções de mobilidade e integrá-las em seus sistemas de transporte urbano. São três aplicações específicas que poderiam se beneficiar de tais colaborações.

Primeiro, a parceria entre os desenvolvedores de aplicativos dinâmicos de planejamento de viagens e de emissão de bilhetes poderiam oferecer aos passageiros uma plataforma totalmente integrada para planejar e pagar pelas viagens. Isso tornaria muito simples para os passageiros acessar o que fosse mais conveniente, atraente ou econômico – tudo através de um dispositivo. O aplicativo chamado GoLA, por exemplo, ajuda os moradores de Los Angeles a compararem o custo, tempo, calorias queimadas e emissões mitigadas para várias opções de transporte que variam de bicicleta a ônibus e carros particulares. Um total de 24 prestadores de serviços de transporte fazem parte do sistema, com alguns já permitindo pagamentos também através do aplicativo.

Em segundo lugar, a integração de miniônibus elétricos sob demanda operados de forma privada com outras formas de transporte público pode ajudar as cidades a manter ou ampliar a cobertura em áreas desatendidas, reduzindo o custo do serviço. Os miniônibus desempenham um papel importante em muitas cidades de rápido crescimento, e companhias como a RideCell e a TransLoc oferecem plataformas de roteamento que as agências de trânsito podem usar para administrar suas próprias frotas sob demanda. Isso daria às cidades a capacidade de mudar as rotas de acordo com as variações da demanda de passageiros.

Terceiro, subsidiar viagens compartilhadas de e para pontos centrais de transporte em bairros onde os residentes podem ter um bom acesso a opções de transporte, incluindo residentes de baixa renda ou pessoas com deficiência. Vários programas desse tipo já estão funcionando. Uma cidade em Nova Jersey, por exemplo, espera economizar 5 milhões de dólares em 20 anos ao subsidiar viagens compartilhadas em vez de construir mais estacionamentos perto de estações de trem.

Os novos serviços de mobilidade têm o potencial de complementar o transporte público, mas também podem levar a um agravamento dos congestionamentos, mais acidentes de trânsito, mais poluição atmosférica e outros efeitos indesejáveis se não forem gerenciados com cuidado. Mais atenção precisa ser dada para assegurar que os novos serviços de mobilidade atendam às reais necessidades da população. No geral, porém, integrá-los adequadamente aos sistemas de transporte existentes é uma oportunidade que as cidades devem aproveitar. Pode ser que ainda estejamos nos primeiros dias da revolução da nova mobilidade, mas em vez de proibir o futuro devemos ser criativos na forma como o abraçamos.

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Ani Dasgupta é o diretor global do WRI Ross Center, programa do WRI que trabalha para ajudar as cidades a crescerem de forma mais sustentável e a melhorar a qualidade de vida das pessoas em países em desenvolvimento.

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