Cidades do futuro

Melbourne

Federation Square, em Melbourne: cidade australiana foi considerada uma das cidades com os melhores índices de qualidade de vida (Foto: Travellers travel photobook/Flickr)

A edição comemorativa de 50 anos da revista Exame é dedicada ao tema “Cidade do Futuro”. A justificativa baseia-se na seguinte constatação: a crescente importância das economias das cidades nas trocas de produtos e serviços pelo mundo. Alguns especialistas chegam até a afirmar que, no futuro próximo, os serviços diplomáticos das principais cidades serão mais relevantes do que os de muitas nações.

Foram eleitas cinco metrópoles como fonte de inspiração para demonstrar que as cidades podem ser lugares melhores para viver, trabalhar e empreender, desde que seus habitantes evoluam juntos e usufruam dos benefícios gerados. Entre elas, está a australiana Melbourne, considerada em determinado ranking a metrópole com melhor qualidade de vida. Vale conferir por quê.

Em primeiro lugar, o papel que os australianos dão à gestão e ao planejamento de longo prazo, destacando-se a continuidade obtida para as políticas públicas e a criação de uma agência de regulação inovadora, responsável pelo controle da expansão urbana, com metas para daqui até 40 anos. A motivação é conseguir manter o alto padrão de qualidade de vida conquistado, apesar das ameaças de um crescimento populacional acentuado, vivido pela cidade nos últimos anos e com tendência de se manter nos próximos.

Melbourne chegou à conclusão de que, apesar de ser mais barato dispor as novas habitações via expansão dos limites do perímetro urbano, os gastos no médio e longo prazo para a manutenção deste modelo tornam-no insustentável. O melhor é promover o adensamento onde já existe infraestrutura, e os serviços públicos ou privados já estão instalados.

Não descobriram a pólvora, mas decidiram enfrentar de modo mais contundente a expansão urbana dispersa e de baixa densidade. E a argumentação faz todo o sentido. Afinal, o valor de uma casa não é composto apenas pelo somatório do preço do lote com o do custo da sua construção. Dele fazem parte também o preço dos serviços à disposição no seu entorno, como saúde, educação, transportes, comércio etc.

Para Melbourne, essa lógica se tornou tão clara que o centro da meta de planejamento da cidade é garantir escolas, equipamentos de saúde e comércio a uma distância de 20 minutos a pé da casa dos moradores.  Se o plano australiano vai dar conta ou não, ainda não sabemos – mas que sua meta-síntese é extremamente sedutora, não tenho dúvida.

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Vicente Loureiro é diretor executivo da Câmara Metropolitana de Integração Governamental do Rio de Janeiro.