Acessos seguros são determinantes para o uso do transporte coletivo

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Acesso à estação do VLT, no Rio de Janeiro (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

As condições de acessibilidade no entorno de estações e terminais impactam a experiência do usuário de transporte coletivo, podendo estimular ou desencorajar a escolha pelo modo. Muitas vezes, infraestruturas urbanas mal construídas ou mal posicionadas nessas áreas tornam-se obstáculos, isolando os sistemas de quem precisa deles. A falta de segurança no acesso às estações também é um determinante: se caminhar até a estação não for seguro, quem tiver condições pode facilmente dar preferência ao transporte individual motorizado.

Essa é a constatação que levou ao desenvolvimento do guia Acessos Seguros – Diretrizes para qualificação do acesso às estações de transporte coletivo, lançado em abril pelo WRI Brasil Cidades Sustentáveis. A publicação mostra como o desenho urbano é parte importante da satisfação das pessoas com o transporte coletivo.

A maneira como as pessoas percebem e acessam o serviço [de transporte coletivo] é decisiva para que elas escolham utilizá-lo ou não. (…) Nos últimos anos, o Brasil viu a realização e a promessa de novos projetos capazes de qualificar o acesso dos cidadãos ao transporte público e, consequentemente, à própria cidade. Porém grande parte dessas propostas não levou em consideração os trajetos a pé percorridos pelas pessoas antes e depois de utilizar os veículos. Uma das consequências disso é a queda no número de passageiros que vem ocorrendo por todo o país e, em alguns casos, colocando em risco a sustentabilidade econômica dos investimentos. (…) Investir na qualidade e na segurança dos acessos às estações de transporte coletivo de massa representa pouco no orçamento total de um projeto, mas tem impacto direto na qualidade da operação.

A qualificação dos acessos às estações influencia positivamente a experiência dos usuários com o transporte coletivo e, ao mesmo tempo, lhes garante mais acessibilidade e segurança em seus deslocamentos enquanto pedestres – rumando para as estações ou saindo delas. Com o objetivo de oferecer uma fonte técnica e confiável para gestões públicas, profissionais de planejamento urbano, agências de financiamento e a sociedade, o manual apresenta os cinco princípios para a construção de acessos seguros, além de uma série de diretrizes e ações para executá-los e estratégias de financiamento para os projetos.

Ainda: garantir acessos adequados e seguros ao transporte coletivo é uma maneira não só de manter os usuários, como de atrair novos. Em um contexto de queda no número de passageiros, ações de qualificação como as apresentadas no guia podem contribuir para reverter essa tendência. Ao alinhar essas ações com as falhas observadas no processo de diagnóstico e as demandas da população, a cidade faz mais do que construir ou qualificar infraestruturas existentes: melhora a vida das pessoas, garantindo que cheguem ao transporte coletivo com conforto e segurança.

Conheça a publicação na íntegra.

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Etapas para promover a qualificação do acesso a estações de transporte (Arte: WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Belo Horizonte trabalha para qualificar os acessos às estações do MOVE

Em Belo Horizonte, a convergência entre os processos de revisão do Plano Diretor de Mobilidade Urbana e elaboração da nova Política de Acessibilidade na Mobilidade Urbana (Pamu-BH) levou a cidade a criar o programa Acessibilidade para Todos, com o objetivo de compreender as dificuldades enfrentadas pelos cidadãos no acesso ao espaço urbano e ao sistema de transporte coletivo.

Para ampliar a inclusão e o acesso às oportunidades, uma das primeiras ações do programa Acessibilidade para Todos foi a inspeção das condições de acesso das 44 estações do MOVE, sistema BRT da capital mineira. Essencial para a mobilidade da cidade, o MOVE atende em torno de 540 mil passageiros por dia em seus três corredores – Antônio Carlos, Cristiano Machado e Área Central. Em cada estação foram mapeados trechos de calçadas, rebaixamentos, travessias de pedestres, rampas e escadarias de acesso, corrimãos, passarelas, entre outros elementos, em um processo que identificou quais elementos da infraestrutura acesso representam barreiras às pessoas.

Estação do MOVE, em Belo Horizonte (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Em uma escala de 0 a 100%, de acordo com o Índice de Conformidade com a Acessibilidade (BRT IC), o MOVE obteve média de 62% para os três corredores. A meta da prefeitura, agora, é alcançar o percentual máximo até 2030. Alguns dos principais desafios revelados pela análise foram a melhora da conservação das estruturas, a acessibilidade (algumas estações não contam com rampas de acesso) e os mapas fixados no interior das estações (não acessíveis a pessoas cegas). O Estado de Minas realizou uma avaliação detalhada dos resultados.

O diagnóstico das condições de acesso das estações foi a primeira etapa: a cidade deve agora definir as metas de qualificação, estruturar um plano de ação para qualificar o entorno de cada estação, desenvolver os projetos e, então, colocá-los em prática. Em todas essas etapas, ouvir a população é fundamental. A participação social é o que vai garantir que todo o processo seja bem-sucedido. Isso porque oferecer acessibilidade e segurança vai além de seguir normas técnicas: é preciso minimizar ou eliminar obstáculos, tornar o acesso às estações um caminho que as pessoas possam percorrer sem dificuldades, independentemente de suas condições, e sem correr riscos.