Cuidar das vias urbanas pode alavancar importantes ganhos de qualidade de vida

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(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Por Vicente Loureiro, diretor executivo da Câmara Metropolitana de Integração Governamental do Rio de Janeiro

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Há medidas simples de serem tomadas, mas de inegável impacto na qualidade de vida dos habitantes de uma cidade. Refiro-me às normas presentes nos códigos de postura, de obras, de urbanismo e de tributos, entre outras. Mesmo sendo instituídas para melhorar a vida do cidadão, nem sempre elas alcançam seus objetivos. Por vezes, até pioram o que se desejava consertar.

Quando sobrevoamos as cidades à noite, ficam nítidos os lugares mais intensamente usados pela população: áreas centrais, corredores de circulação e grandes equipamentos ou construções. Demonstram, através da intensidade da luz, proveniente da iluminação dos espaços públicos e privados, os lugares mais usados pelas pessoas em seus deslocamentos noturnos.

Percebe-se, num exame um pouco mais cuidadoso, o papel relevante das vias urbanas, reluzentes e estruturadoras da comunicação entre as partes da cidade. Cuidar delas, com especial atenção urbanística pode alavancar importantes ganhos de qualidade de vida, contribuindo para orientar o desenvolvimento da cidade, distribuindo melhor as oportunidades e racionalizando, inclusive, os custos de sua manutenção. É preciso investir mais onde o retorno social e econômico pode ser maior e mais equânime.

Incentivar novas construções, nas áreas já destacadas como as mais proeminentes ou importantes para o funcionamento das cidades, deve ser considerado estratégico. Um pré-requisito para aumentar a eficiência dos serviços públicos de saneamento, de transporte, de energia, de telecomunicações etc.

Dotar estas áreas de um sistema de transporte público mais eficaz, incorporando os meios não motorizados – pedestre e bicicleta -, é garantia para o uso cada vez mais intenso e dinâmico de seus imóveis, principalmente os localizados no pavimento térreo e destinados às atividades comerciais e de serviços.

Da mesma forma recomenda-se agir nas áreas centrais das cidades. Afinal, sua concentração de moradias, equipamentos e atividades econômicas costuma gerar concentração de empresas e geração de renda, atraindo mais investimentos e inovações.

Tais espaços urbanos são os mais propensos a tornar a vida nas cidades melhor, mais dinâmica e inclusiva, principalmente em tempos de crise.

 

  • José Aparecido Cunha

    ” O primeiro passo para garantia de uma cidade em que se justifique a alta demanda de impostos aplicado aos contribuintes, iniciaria em cuidar dos vários espaços circulantes, as vias para veículos estão tão cheias de remendos que demostram o quão desmoralizado está todo os sistemas que deveriam, minimamente ser tratados; as tampas de bueiro e acessos das companhias prestadoras de serviços, demonstram o total despreparo e descuido com as coisas públicas, dá verdadeira vergonha trazer turistas para apreciar nossas cidades e se depararem com tais aberrações, pois pistas com desnivelamento verdadeiras armadilhas, para transeuntes e veículos, será que os fiscais e mestres de obras não notam tais descalabros. O espaço público encontra-se abandonado, note as calçadas e parques públicos. As reformas, feitas com materiais de segunda linha, os quais em muitos casos nem na mais humilde moradia daria para ser utilizado, ainda não estou falando da ambiguidade das sinalizações, tanto de piso, quanto de identificação dos locais, parecendo trabalho executado por amadores, só se falam em custos, em muitos casos não tem coerência; basta uma ligeira inspeção, para notar tais desregramentos. Fica aqui uma primeira impressão para iniciarmos a busca de uma cidade, para chamarmos de Justa e Democrática.”