Construindo lugares: espaços públicos podem ser espaços vivos

Placemaking, Nairobi, espaços públicos

Placemaking Week em Nairobi, na África: pessoas transformam a rua em um espaço alegre e convidativo. (Foto: ITDP Africa/Flickr)

Por Vicente Loureiro, diretor executivo da Câmara Metropolitana de Integração Governamental do Rio de Janeiro

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Este título é uma tradução livre do termo em inglês placemaking, uma tentativa internacional de promover inovações nos processos de planejamento, criação e gestão de espaços públicos. Essas inovações são lideradas não só por profissionais de Arquitetura e Urbanismo, mas também por representantes de empresas, administrações municipais, profissionais de outras áreas e ativistas que utilizam seus trabalhos para tornar as cidades um melhor lugar de se viver.

Esses profissionais trabalham com novas ideias no campo do desenvolvimento urbano, pensando o espaço público de modo distinto do tradicional: com foco nas pessoas e no transporte coletivo, e não nos carros. Buscam tornar o ambiente urbano mais vivo, convidativo, confortável e seguro. Têm consciência de um mundo cada vez mais urbano e denso, impondo o foco das ações de urbanismo na capacidade de oferecer mais qualidade de vida e bem-estar a quem mora nas cidades.

Tais especialistas acreditam também na valorização dos espaços públicos como forma de alavancar e fomentar a integração entre as pessoas a partir do florescimento de uma convivência cidadã, obtida com a transformação de pontos de encontro ou confluência de pessoas em lugares mais agradáveis e atraentes. Sob essa ótica, os projetos são concebidos de modo mais atento e respeitoso aos desejos e às necessidades de quem irá usufruí-los no futuro – nós, moradores e moradoras das cidades.

Parece clara – para as lideranças deste novo modelo de pensar e agir nos espaços públicos – a necessidade de envolver todos os atores neste esforço de transformação: poder público, iniciativa privada, academia e sociedade civil. Só assim, creem, será possível oferecer experiências inovadoras e melhores às pessoas que optam pelo transporte ativo, evitando a repetição dos erros do passado recente, do urbanismo das ruas largas para os automóveis.

De acordo com os preceitos do placemaking, são componentes de um lugar o espaço físico as atividades que nele ocorrem e o significado por ele adquirido. Há que se considerar também a distinção entre “espaço” e “lugar” – um espaço, apenas, não desperta senso de pertencimento e orgulho por parte de quem o utiliza. Assim, construir lugares pressupõe saber conectá-los de forma intensa e planejada com o entorno e a cidade. Torná-los parte do cotidiano urbano das pessoas, seja no caminho do trabalho, do supermercado ou da escola. Os lugares que despertam a sensação de pertencimento devem possuir qualidades apreciadas que, de certa forma, lhes garantam distinção e carisma.

Há muitas experiências de placemaking de natureza efêmera, capazes de transformar espaços públicos ociosos em lugares onde as pessoas gostam de estar. Começam a frutificar por diversas cidades no mundo iniciativas mais sólidas e perenes de construção desses lugares, contribuindo para acreditarmos que os espaços públicos podem e devem ser mais amigáveis e acolhedores.