Cinco medidas para incentivar o uso da bicicleta nas cidades

(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

O futuro do transporte nas cidades se move sobre duas rodas? Um evento promovido pelo WRI em Washington reuniu especialistas e defensores da bicicleta para pensar formas de tornar as bicicletas um modo saudável, econômico e ambientalmente sustentável de transporte urbano. Isso já é uma realidade em Copenhague, onde metade dos trabalhadores viaja de bicicleta e o ciclismo representa 17% de todas as viagens e 50% dos deslocamentos feitos para os locais de trabalho da capital da Dinamarca.

De acordo com Klaus Bondam, um especialista da bicicleta em Copenhague, o trabalhador típico na cidade gasta apenas 4% da renda em transporte, em comparação com os de Houston, onde o custo é de 14% da renda de um trabalhador típico. Em Washington, uma cidade americana relativamente amigável às bicicletas, apenas 4% dos deslocamentos são feitos com elas. Confira cinco medidas indicadas pelos especialistas da área para transformar as cidades em novas Copenhagues.

1. Criar um grupo político

Os líderes da cidade precisam saber que os ciclistas podem se mobilizar como força política. Sam Adams, diretor do WRI e ex-prefeito de Portland, observa que os ciclistas foram consistentemente ignorados até formarem um grupo organizado e engajado que endossou candidatos e fez doações. Embora as quantias envolvidas fossem pequenas, os políticos começaram a prestar atenção às preocupações dos ciclistas em relação à segurança e à necessidade de melhores infraestruturas.

É fundamental encontrar preocupações comuns entre todas as partes interessadas e um bom ponto de partida é a economia urbana. O trânsito pode puxar para baixo o crescimento econômico, em uma taxa que varia de 1.1%, em New York, a 15%, em Beijing. “Uma das principais ações na Dinamarca foi a Estratégia Nacional de Bicicleta, que reuniu todos os diferentes interessados e criou uma linguagem comum na área”, contou Bondam. Construir o apoio público para o ciclismo urbano requer as mesmas ferramentas utilizadas para disseminar as mensagens sobre os riscos à saúde provocados pelo tabagismo.

2. Investir em infraestrutura

Incentivar o ciclismo, dando espaço para as bicicletas. Novas infraestruturas para bicicletas geraram um aumento de 24% no número de passageiros em Copenhague, com um aumento de 63% na sensação de segurança, afirmou Bondam. Ao escolher onde construir, priorizar o uso e a redução de acidentes, bem como a ligação de ciclorotas para criar redes completas. Criar “autoestradas de bicicletas” que ligam os subúrbios ao centro das cidades pode ser particularmente eficaz. Plataformas de bicicletas compartilhadas também desempenham um papel importante no aumento do número de passageiros.

3. Combinar modos de trânsito

O ciclismo precisa ser integrado a outros modos de transporte. Isso significa garantir que os ônibus e trens tenham suportes para bicicletas para facilitar a rotina dos usuários do transporte – uma medida que ajudou a ampliar a quantidade de trajetos realizados por bicicletas em Copenhague.

4. Enfatizar a praticidade e os benefícios

Em Copenhague, uma pesquisa mostrou que apenas 5% dos entrevistados responderam que andam de bicicleta por razões ambientais – 56% disseram que é mais rápido, e outros 27%, que é mais conveniente. Mais de um quarto dos entrevistados afirmaram que andam de bicicleta porque é mais saudável. Em tom de brincadeira, Bondam destacou que os dinamarqueses gostam de andar de bicicleta porque lisonjeia suas raízes vikings: “há uma sensação de conquista quando você chega ao escritório”. Além disso, muitas pesquisas sugerem que os funcionários são mais felizes, mais saudáveis e mais produtivos quando fazem um pouco de exercício pela manhã.

E não é apenas mais saudável para os ciclistas. Mais bicicletas nas ruas significa menos carros, o que diminui a poluição. Lars Loese, embaixador dinamarquês, disse que 50 mil americanos morrem todos os anos de poluição, um problema que a bicicleta pode ajudar a aliviar. Bondam também enfatizou o quanto o ciclismo é uma atividade através da qual as famílias se conectam na Dinamarca. Mais de um terço das famílias dinamarquesas andam de bicicleta com seus filhos. Crianças começam a aprender a pedalar no jardim de infância.

5. Tenha Paciência

Nada acontece da noite para o dia. Quando perguntado quanto tempo levaria para que os moradores de uma cidade dos EUA abraçassem o ciclismo como em Copenhague, Bondam respondeu cautelosamente: “Muito tempo. Cinquenta anos, talvez. Não só os investimentos em infraestrutura precisam ser feitos, mas leva muito tempo para internalizar a cultura do ciclismo no DNA de uma cidade”.


Este texto foi adaptado do material produzido por Hayden Higgins e publicado no site do WRI.