Após as eleições americanas, as cidades buscam maneiras de continuar bem por conta própria

Este post foi escrito por  e originalmente publicado no TheCityFix.

(Foto de Marco Verch / Flickr)

O que virá a seguir para as cidades dos Estados Unidos, agora que está definido o resultado da eleição presidencial de 2016? Assim que os resultados foram encerrados na última terça-feira, essa questão rapidamente surgiu na cabeça dos planejadores urbanos e moradores das cidades, igualmente.

Na história recente, as cidades têm se posicionado na linha de frente para prover soluções. As cidades são hábeis em encontrar localmente as soluções apropriadas, os líderes urbanos têm sido capazes de tomar ações diretas em uma gama de desafios que enfrentam as cidades que crescem rapidamente. Um dos locais em que muitas mudanças políticas estão por vir, Washington, DC, já criou um precedente para a ação, baseada na resiliência e nas metas redução de emissões em 80% até 2050. À medida que o novo governo se prepara para os primeiros 100 dias no cargo, é claro que haverá amplas implicações para cidades, como Washington. Durante todo o curso das eleições foi dedicada atenção especial a áreas como transportes, enquanto as decisões críticas para a infraestrutura e clima também tomam forma na agenda da próxima administração.

No passado, os cidadãos e líderes urbanos eram quem mais levantavam questões como as mudanças climáticas e o setor transportes. Agora, estas questões são colocadas em pauta, no passo em que a nova administração vai assumindo. Então, o que podemos esperar das cidades nos próximos quatro anos?

Transporte

Muitas cidades já enxergam o valor em tornar o transporte mais seguro e sustentável para todos. Cidades como Nova Iorque estão implementando limites de velocidade para melhorar a segurança para quem adota modos de transporte sustentáveis, como caminhadas e ciclismo. A criação de espaços para pedestres, o compartilhamento de programas de bicicleta e melhorar infraestrutura cicloviária estão sendo implementadas aos sistemas de transporte das cidades.

Somado a este progresso, o funcionamento do transporte para todos foi um dos tópicos principais para os eleitores americanos neste ano. Como evidenciado pelos U$ 200 bilhões em financiamento de trânsito direcionados pelos eleitores, de Los Angeles a Atlanta, as pessoas demonstram estar com um olhar mais atento às melhorias de futuro por meio do transporte. Los Angeles, por exemplo, financiará a infraestrutura de bicicletas e pedestres, além de expandir seu sistema de BRT. Investimento em melhores opções de transporte determinam a criação de vários benefícios a longo prazo para a cidade: reduzir os congestionamentos de carros melhora as perspectivas de emissões urbanas e produtividade a longo prazo.

A promessa de infraestrutura

Uma questão que pareceu unir os tão polarizados candidatos presidenciais nos Estados Unidos foi a necessidade de uma melhor infraestrutura. Os EUA estão atrasados tanto na condição quanto na manutenção de sua infraestrutura, principalmente a de trânsito que fica para trás em termos de qualidade e manutenção.

Existe uma enorme oportunidade para orientar o boom global em infraestrutura, que deverá elevar-se a U$ 90 trilhões nos próximos 15 anos. Avançando, o desenvolvimento da infraestrutura deve ser voltado para melhorar conectar as pessoas e lugares, através de melhores e mais sustentáveis formas de transporte, além de melhor desenvolvimento planejado e mais compacto. Para garantir que a o financiamento nesta área olhe para além do status quo e procure ativamente os projetos mais sustentáveis que não seja voltado à dispersão e aumento de emissões, será vital para fazer boas promessas de infraestrutura. Estamos cientes de que existe uma enorme oportunidade para deslocar o financiamento existente. Em infraestruturas de transportes, o investimento em todo o mundo compreende em torno de U$ 1.4 trilhões e U$ 2.1 trilhões todos os anos. As decisões tomadas hoje, que temos uma grande oportunidade para fazer uma mudança transformadora em quais tipos de projeto serão financiados, afeterá diretamente os tipos de cidades que teremos nos próximos anos.

Os planos da nova administração para o American Energy & Infrastructure Act (ato americano de infraestrutura e energia, em tradução livre) surgiram, após a eleição, prometendo parcerias público-privadas que irão alavancar U$ 1 trilhão de infraestrutura para os próximos dez anos. Se esta política orientada para o setor privado, puder nos livrar de congestionamentos e de sistemas de transporte voltados para os carros, e nos levar em direção a investimentos inteligentes e sustentáveis, a promessa de cidades habitáveis e sustentáveis pode se tornar uma realidade menos distante.

Clima

Durante o progresso da COP22, com o Acordo de Paris tendo entrado em vigor, o futuro da ação climática nas cidades entrou em questão.

As cidades provaram ser as precursoras da ação climática, muitas vezes assumindo compromissos profundos para reduzir as emissões e melhorar a resiliência além das promessas feitas a nível nacional. Portland, por exemplo, tem assumido um ambicioso plano para além do âmbito das metas a nível nacional, em que as metas de redução de gases de efeito estufa estão em vigor desde 1993 sob a Estratégia de Redução de Dióxido de Carbono. Portland também mantém o foco firme sobre o crescimento equitativo, conectado e resistente às alterações climáticas. A visão de um futuro comum emergiu para as cidades, vindo do envolvimento com várias redes de colaboração das cidades que compartilham conhecimentos e soluções para os desafios climáticos.

Nos primeiros 100 dias, evitar o retrocesso do progresso do clima é fundamental. As cidades têm operado fora de ação federal, atuando de maneira independente, mas interligadas – e isso não parece suscetível à mudança em breve. Redes, como o Compacto de Prefeitos, permanecerão como poderosos representantes de mais de 600 milhões de residentes urbanos, enquanto a rede C40 trabalha para melhorar a técnica de compartilhamento de conhecimento em pelo menos doze cidades dos EUA. No entanto, assegurar que essas cidades têm o poder de tomar medidas no âmbito do Acordo de Paris continua a ser de importância vital.

Mudança urbana

Os resultados da eleição EUA terão influência direta sobre cidades. A urbanização global nos próximos quatro anos, associada à nova administração, invariavelmente irá determinar a capacidade das cidades de acompanharem o setor de transportes, os investimentos de infraestrutura e as mudanças climáticas. Exemplos estabelecidos em cidades norte-americanas ressoam em todo o mundo. Agora é o momento para se certificar de que sejamos guiados por políticas em direção à meta de longo prazo de um futuro urbano sustentável e habitável; temos que garantir que nossas cidades continuem bem.