Belo Horizonte lança política que fomenta a participação do setor privado na gestão da mobilidade

(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

A demanda por transporte nas grandes cidades é originada principalmente pelo movimento pendular entre casa-trabalho-estudo-casa da população. Sendo assim, é clara a necessidade de uma maior participação do setor privado na busca pela melhoria da mobilidade urbana. A cidade de Belo Horizonte aparece como pioneira ao fomentar essa prática na América Latina.

Como medida para reforçar as ações promovidas pela capital mineira na área de mobilidade urbana, a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTRANS) lançou um Roteiro para a elaboração de Programa de Gestão de Mobilidade. A iniciativa do órgão propõe aos empreendimentos de grande porte (publicos e privados) que, como medida mitigadora, criem e implementem planos estruturados de Gestão de Demanda de Viagens com o objetivo de estimular o uso de meios de transporte mais sustentáveis nos deslocamentos ao trabalho e, assim, contribuam para a redução dos congestionamentos e a fluidez do trânsito da cidade.

Políticas de incentivo adotadas por empresas desempenham um importante papel na forma como o funcionário se desloca ao trabalho. Estimular os empregados a caminhar, pedalar, usar transporte coletivo, organizar caronas e gerir o uso do automóvel não apenas contribui para a cidade e para o meio ambiente, mas também proporciona benefícios para a própria instituição.

O trabalho realizado entre o WRI Brasil Cidades Sustentáveis e a Cidade Administrativa de Minas Gerais (CAMG) serviu de motivação para o proposta desenvolvida pela BHTRANS. Conforme explica Luciana Stubbs, Supervisora de Estudos de Impacto da Gerência de Diretrizes Viárias (GEDIV) da BHTRANS, a ideia de ter um programa de gestão de mobilidade como condicionante para alguns empreendimentos de impacto vem desde as discussões que resultaram no Plano de Mobilidade Urbana de Belo Horizonte (PlanMob-BH), finalizado em 2013.

A GEDIV, área do órgão responsável pela análise e emissão dos pareceres dos empreendimentos com impacto no trânsito em Belo Horizonte, já havia começado a exigir que as universidades implantassem algumas contrapartidas para incentivar o transporte sustentável. No entanto, devido à falta de diretrizes e conhecimento específico do tema, os programas recebidos não continham planos de ação efetivos e completos.

Belo Horizonte BRT Move“Acredito que a parceria do WRI com a BHTRANS, juntamente com o resultado do trabalho do WRI na Cidade Administrativa, fez com que a diretoria, em especial o Diretor de Planejamento da BHTRANS, Célio Bouzada, enxergasse a possibilidade de a equipe da GEDIV aprender com a parceria e melhorar os procedimentos para a criação de um Programa de Gestão da Mobilidade”, afirma Luciana.

Com o sucesso do roteiro para elaboração do Relatório de Impacto na Circulação (RIC), também produzido pela GEDIV, o órgão decidiu disponibilizar também o roteiro para elaboração do Programa de Gestão da Mobilidade. “A intenção é disponibilizar a primeira versão do roteiro e, à medida em que recebermos os programas e observarmos as maiores dúvidas e dificuldades dos consultores e empreendedores, irmos aprimorando”, esclarece Luciana.
O roteiro lançado pela BHTRANS utiliza como referência o “Passo a Passo para a Construção de um Plano de Mobilidade Corporativa“, guia desenvolvido pelo WRI Brasil Cidades Sustentáveis que sugere um conjunto de ações divididas em sete fases e 26 atividades a serem desenvolvidas de forma coordenada e conjunta entre funcionários e gestores. O método aponta recomendações que vão desde a preparação anterior ao plano até o seu monitoramento e revisão.

Conforme a orientação da BHTRANS, o primeiro passo é fazer um diagnóstico do empreendimento que (i) avalie as condições do empreendimento – infraestrutura e localização -, com base no RIC ou no Estudo de Impacto na Vizinhança (EIV), e (ii) desenvolva uma pesquisa de padrão de deslocamento dos funcionários. “Minimamente, é necessário levantar informações sobre pontos de origem dos deslocamentos, atual padrão de deslocamento ao longo da semana (meio de transporte principal e secundário), identificação do(s) motivo(s) para o atual padrão de deslocamento e identificação de incentivos que estimulariam a mudança de hábito”, descreve o documento, que também oferece um modelo de questionário, também formulado pelo WRI Brasil Cidades Sustentáveis, a ser aplicado.

Após a implantação do programa, a BHTRANS sugere o estabelecimento de metas e um programa de ação e monitoramento. As metas, o programa de ação e os resultados serão submetidos à análise do órgão. A empresa poderá, dessa forma, apresentar propostas de revisões do plano com recomendações que tornem o projeto mais eficiente ou ampliem os horizontes.