Paulistanos apoiam priorização do transporte coletivo e novas ciclovias

Novos números ajudam a mostrar o que os paulistanos conhecem bem: se gasta muito tempo em deslocamentos na capital paulista, seja em ônibus ou no metrô, ambos com alta lotação, ou em viagens de carro que parecem perder o sentido e virar tortura. A Rede Nossa São Paulo divulgou na última semana uma pesquisa que retrata um pouco dessa rotina diária do cidadão paulistano.

A maior cidade da América Latina, onde vivem 11,2 milhões de pessoas, é palco de grandes congestionamentos e altos níveis de poluição, o que prejudica a qualidade de vida de seus habitantes. Mesmo os que contribuem diariamente para isso, por opção ou não, se mostram coerentes ao assinalar as carências que a cidade deveria suprir. Por exemplo, a pesquisa mostra que quase dois terços dos entrevistados estariam dispostos a deixar o carro em casa se tivessem melhor alternativas de transporte coletivo para realizar seus deslocamentos. E 92% da população aprova a construção e a ampliação das faixas e corredores de ônibus.

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(Reprodução Rede Nossa São Paulo)

O levantamento foi feito entre 23 de agosto e 1º de setembro de 2016 com 602 pessoas de 16 anos ou mais, residentes na cidade. Essa é a 10ª edição da Pesquisa –  realizada pelo Ibope Inteligência – sobre Mobilidade Urbana que a Rede Nossa São Paulo lança. O levantamento traz a percepção dos moradores sobre os transtornos e melhorias a respeito da mobilidade da cidade, bem como sobre a percepção da poluição.

Talvez por conviver com os transtornos diários no trânsito da capital, os cidadãos mostram estar de acordo com as medidas já comprovadas como potenciais para resolver ou minimizar os problemas de mobilidade na cidade e melhorar a qualidade do ar. Prova disso é que metade dos entrevistados (51%) afirmou que “com certeza” deixaria de utilizar o carro se houvesse melhor alternativa de transporte e outros 23% disse que “provavelmente deixaria”, totalizando quase dois terços dos paulistanos.

Aliado a isso, 92% dos entrevistados se mostrou a favor da criação de mais corredores ou faixas de ônibus. E não apenas aqueles que se locomovem de ônibus são a favor: a porcentagem, considerando quem se locomove frequentemente de carro, ficou em 90% favorável. Esse apoio à priorização do transporte coletivo vem de encontro ao estudo publicado recentemente pelo WRI Brasil Cidades Sustentáveis e pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), que mostra como o acesso ao transporte público de qualidade ainda é baixo em São Paulo e realidade para apenas 25% da população. A cidade não pode ficar mais décadas esperando a expansão do metrô.

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(Reprodução Rede Nossa São Paulo)

Afinal, o levantamento mostrou que o transporte coletivo é o quinto maior problema assinalado pelos paulistanos, seguido por trânsito e poluição, respectivamente em sexto e sétimo lugar. Nessa equação, além da lotação dos ônibus e do preço da passagem, o tempo médio gasto dentro do transporte coletivo foi levado em consideração: para realizar todos os deslocamentos diários, quem utiliza o transporte coletivo gasta 3 horas e 11 minutos. Entre quem usa o carro, a média ficou alguns minutos abaixo disso (3 horas e 6 minutos). No entanto, entre ficar três horas em um ônibus lotado ou no conforto de um veículo privado, quem pode opta pela segunda opção, o que vem abarrotando os centros urbanos de carros e tornando ainda mais difícil reduzir a cultura centrada no carro.

Apesar disso, o levantamento aponta:

“O nível de satisfação com “aspectos, áreas e serviços de locomoção em São Paulo melhorou, seguindo uma tendência desde 2008. A maior nota ficou para quantidade de faixa de pedestres (5,5). A nota de transporte público passou de 4,5 para 5,1; aplicação das leis do trânsito, de 4 para 4,5; tempo gasto para se deslocar da cidade, de 4 para 4,2; e a situação do trânsito na cidade, de 2,9 para 3,2.”

De bicicleta em São Paulo

A aprovação dos paulistanos ao espaço viário dedicado às bicicletas também aumentou, embora a pesquisa mostre que o número de pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte diminuiu. Sobre a aceitação às ciclovias, no ano passado era de 59% e neste ano subiu para 68%. No entanto, apenas 21% disseram já ter pedalado nas ciclovias ou ciclofaixas; o que talvez se explique pelo índice de pessoas que sentem insegurança nesses espaços. Enquanto apenas 15% dos entrevistados disseram se sentir “muito seguros” ou “seguros” nesses locais, 76% afirmaram a sensação de estarem “nada seguros” ou “pouco seguros”. Entre os que já utilizaram as ciclovias ou ciclofaixas, 30% consideram “seguras” ou “muito seguras”. E 17% avaliam como “nada seguras”.

Para quem nunca utiliza a bicicleta,  segurança e melhor sinalização foram os tópicos mais citados como motivo para não pedalar:

(Reprodução Rede Nossa São Paulo)

(Reprodução Rede Nossa São Paulo)

Ainda, em se tratando de segurança, os cidadãos parecem perceber, aos poucos, as vantagens comprovadas da redução de velocidade. Ainda que metade tenha afirmado ser contra, 47%  se disse a favor, o que, em relação ao ano passado, é um crescimento. Entre quem nunca utiliza o carro, 54% aprova a medida. A pesquisa completa, disponível aqui, mostra que a população está disposta a enfrentar transformações na cidade que contribuam para uma mobilidade urbana mais qualificada, com apoio ao transporte coletivo e não motorizado.