Como Amsterdã enfrenta a superlotação de bicicletas

Em Amsterdã, as ciclovias estão por toda a parte. A bicicleta é indissociável à cidade, que tem no modal seu principal meio de locomoção. Nos últimos vinte anos, o uso da bicicleta praticamente dobrou na cidade – e as políticas voltadas aos ciclistas seguiram a mesma linha, o que fez Amsterdã ser considerada, ano passado, a segunda cidade mais ciclável do mundo.

No entanto, uma população de 800 mil habitantes que tem registrada 880 mil bicicletas – o quádruplo de carros – acaba por enfrentar certo caos quando o desafio é achar um lugar para a bicicleta nos biciestacionamentos localizados próximos das estações de metrô. O que levou a cidade a repensar suas estratégias para os próximos quatro anos.

Estacionamento de bicicletas em Amsterdam

(Foto: Crystian Cruz/Flickr-CC)

Como existem outras opções para se deslocar na cidade – tram, ônibus, metrô e balsa – o governo favorece a intermodalidade para que ninguém precise deixar a bicicleta em casa ou optar apenas por um dos meios de transporte. Uma das estratégias foi, pontualmente, os já referidos biciestacionamentos, estacionamentos exclusivos para bikes nas proximidades do metrô e trem. Mesmo assim, a relação oferta/demanda está desnivelada, há muitas bicicletas, o que resulta em tempo perdido para achar uma vaga em que a bicicleta caiba e fique segura. O problema, importante ressaltar, não é o alto número de ciclistas – isso é visto como uma vitória para a cidade – mas a infraestrutura de armazenamento.

Muitas bicicletas

(Foto: Petr Kratochvil/PublicDomainPictures)

Por esse motivo, a cidade acredita estar em uma fase de transição, na qual se requere um grande investimento para restaurar a balança entre oferta e demanda. Pois é estimado que até 2020 os deslocamentos por bicicleta aumentem 25% no centro da cidade e 10% fora dele. O plano começará a ser executado em 2017 e estabelece a criação de mais 40 mil vagas para bicicletas, separadas em diferentes estações de trem e metrô, além de outros 3 mil biciestacionamentos subterrâneos. Outra estratégia é a instalação de 2 mil racks nas estações de ônibus públicos.

Amsterdã terá, até 2040, o maior estacionamento de bicicletas do mundo. O governo toma cuidado para que as medidas para equalizar a situação da falta de vagas não seja um desincentivo ao uso da bicicleta. O plano de longo prazo, referenciado pelo site chileno Plataforma Urbana na última semana, destaca o gráfico de intenções:

Plano Ciclista de Longo Prazo

(Investimento em infraestrutura em milhões de euros entre 2012 e 2040 – Fonte: Plano Ciclista de Longo Prazo)

No total, o investimento anunciado é de quase 200 milhões de euros. O plano de ação destaca como todos as medidas são “necessárias e economicamente justificadas”. Dessa forma, a cidade pretende beneficiar toda sua população e os milhões de turistas que visitam a cidade holandesa todos os anos. O propósito é fortalecer Amsterdã como a capital da bicicleta no mundo. Afinal, com isso, se ganha em termos de sustentabilidade, saúde e acessibilidade.