A experiência de empresas que incentivam o uso da bicicleta

(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

No seu nível mais básico, estratégias de Gestão de Demanda de Viagens (GDV) são baseadas em ações para informar, incentivar e estimular o uso de meios de transporte mais sustentáveis, geralmente com o objetivo de compensar os já existentes incentivos ao uso do carro. Muitas vezes essas iniciativas não são suficientes para empresas mudarem os hábitos de seus funcionários. Por essa razão, algumas delas estão oferecendo dias de folga e até bicicletas “de presente” como forma de convencimento.

O que você não faria por um dia de folga a cada 20 dias trabalhados? Pedalar para o trabalho é uma forma limpa, saudável e agradável de obter isso em Pernambuco. O programa “Pedala Servidor“, do governo do estado, garante esse benefício aos servidores públicos estaduais que forem trabalhar de bicicleta todos os dias do mês (o equivalente a 20 dias). O projeto ainda possibilita que os funcionários públicos adquiram bicicleta e equipamentos de segurança através de financiamento consignado em folha de pagamento.

Fora do país, na cidade californiana de Santa Bárbara, a companhia de alto-falante sem fio Sonos decidiu não poupar esforços na implementação de estratégias de demanda de viagens de seus funcionários. O ambicioso programa chamado “SmartRide” dá a opção do empregado adquirir uma bicicleta nova às custas da empresa.

A Sonos dá aos seus funcionários duas opções. A chamada “dinheiro rápido”, onde o empregado pode sacar o dinheiro que lhe seria pago pelo empregador para estacionar o carro – sim, nos Estados Unidos a prática de pagar o estacionamento do funcionário é um benefício adicional popular no país – e receber parte desse dinheiro como bônus diário para seus deslocamentos sem carro. Após determinado número de viagens de bicicleta, o empregado pode receber 600 dólares para adquirir uma bicicleta nova em uma loja local.

Já a opção “flexível” permite ao contratado continuar dirigindo ao local de trabalho em alguns dias, e em troca ele recebe bônus menores em dinheiro para viagens ativas, e precisa fazer um número maior de viagens de bicicleta para ganhar o crédito para a compra da magrela.

O SmartRide também garante benefícios de dias de folga para quem pedala ao trabalho. 24082552920_7fbbabbc17_kAntes de implementar o sistema, a Sonos descobriu através de pesquisa que quase dois-terços dos funcionários viviam em um raio de 8 quilômetros do escritório e 86% disse que preferia não dirigir. Com um ano de programa ativo, o estacionamento estava coberto de bicicletas novas, o que ajudou no convencimento de casa vez mais funcionários. Hoje, 38% dos empregados já participam da iniciativa e a empresa planeja ampliar a ideia para as sedes de Boston e Seattle.

Apesar de ser um tema ainda incipiente no Brasil, a GDV já é largamente difundida em outros países. Noventa das 100 melhores empresas para se trabalhar, eleitas pela revista Fortune 2014, possuem planos de mobilidade corporativa que desestimula o uso do carro particular. Fundamentado em experiências de guias internacionais, o WRI Brasil Cidades Sustentáveis elaborou a publicação Passo a Passo para a Construção de um Plano de Mobilidade Corporativa com o objetivo de guiar organizações interessadas.

Ideias como essas implantadas em Pernambuco e na Califórnia devem sempre identificar fatores fundamentais que influenciam na escolha por meios mais sustentáveis de transporte. No caso do incentivo ao uso da bicicleta, a empresa deve preocupar-se com a adequação da infraestrutura para os ciclistas, como bicicletários, estações de compartilhamento de bicicletas, vestiários com chuveiros e armários, além de outras possíveis necessidades.

  • Pedro Carraro

    Eu não concordo com o projeto de Pernambuco, pois ele é excludente, deixa de fora quem usa o transporte público e/ou quem usa o esquema de carona compartilhada (5 num carro).