Saúde e deslocamento: motoristas são, em média, 4kg mais pesados que ciclistas, diz estudo

Times Square - após o active design, as pessoas ganharam muito mais espaço nas vias e estímulo ao transporte ativo. (Foto: NYC DOT/Flickr)

Times Square – após o active design, as pessoas ganharam muito mais espaço nas vias e estímulo ao transporte ativo. (Foto: NYC DOT/Flickr)

Escolhemos as cidades para viver, mas o uso do solo nas metrópoles é resultado de décadas de planejamento voltado para o carro. O cenário, portanto, desestimula o transporte ativo e o exercício físico. A consequência disso é que 2 bilhões de pessoas estão acima do peso no mundo inteiro. O que representa enorme avanço em relação a 1980, quando o número alcançava 875 milhões. Recentemente, uma pesquisa realizada na Europa monitorou cerca de 11 mil voluntários e obteve como um dos resultados preliminares que pessoas que dirigem carros são, em geral, 4kg mais pesadas que ciclistas.

O estudo realizado em sete capitais europeias pretende analisar os hábitos de transporte e relacionar aos hábitos de saúde das pessoas. Como as pessoas se movem na cidade, quais meios de transporte utilizam e quanto tempo gastam em seus deslocamentos diários. Essas são algumas das perguntas sobre mobilidade. Aliado a isso, os pesquisadores querem saber o peso, altura, acidentes recentes e se a pessoa caminha ou pedala.

Por mais que a premissa de urbanismo e saúde pública e as vantagens do transporte ativo sejam conhecidas há algum tempo, essa é a primeira pesquisa que relaciona o índice de massa corporal com o meio de transporte escolhido pela pessoa. A importância de um estudo como esse encontra amparo nas 5,3 milhões de mortes por ano, no mundo, consequentes do sedentarismo.

“Os dados finais serão publicados em três meses e incluirão dados mais detalhados sobre assuntos como a possibilidade de a contaminação do ar diminuir significativamente os efeitos positivos de andar de bicicleta”, explicou David Rojas, pesquisador do Instituto de Saúde Global de Barcelona, integrante do estudo para o El País.

Para o pesquisador, o trabalho deve servir tanto para conscientizar o cidadão como para pressionar os governantes a fomentar políticas públicas voltadas ao transporte ativo. “Uma das cidades analisadas, Orebro, na Suécia, tinha muito mais infraestruturas para pedestres e ciclistas, e é uma das cidades com maiores níveis de atividade física”, afirmou Rojas.