Abertura Rio 2016 leva ao mundo uma mensagem sobre o aquecimento global

Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Estádio do Maracanã (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Estádio do Maracanã (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Na última sexta-feira, 5, a grande celebração do esporte também aproveitou os bilhões de espectadores espalhados pelo mundo para mandar uma mensagem importante: precisamos pensar sobre o futuro do planeta. Foi assim que a abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 misturou a pauta do aquecimento global com a apresentação dos atletas que competem ao longo do mês de agosto. E ficou claro de que a ideia é fazer o clima de festa entre os países seguir adiante na união em busca de cumprir com os compromissos assumidos contra as mudanças climáticas.

A cerimônia realizada no Maracanã começou realmente no princípio, lá nas divisões celulares e os micro-organismos. Vieram, então, as primeiras florestas, os primeiros povos, o desenvolvimento. As projeções em um piso de LED e uma estrutura com elásticos mostravam as mudanças pelas quais todas as cidades já passaram – nesse caso, ilustradas no Rio de Janeiro.

(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Mas foi logo antes da entrada dos 12 mil atletas que veio a principal mensagem que Rio 2016 pretendia deixar. As cores e a música deram lugar a imagens que mostravam números e consequências das mudanças climáticas. Os números lembraram um pouco do conteúdo disponível no Museu do Amanhã, na Praça Mauá, que traz diversas reflexões sobre passado e futuro.

“É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio” ecoava nas vozes fortes das atrizes Fernanda Montenegro e Judy Dench, enquanto um menino andava no meio do estádio até encontrar uma muda de árvore. O poema “A Flor e a Náusea”, de Carlos Drummond de Andrade, serviram como base para o vídeo que abordou a emissão de gases de efeito estufa, o degelo dos polos, a elevação do nível do mar e o aumento da temperatura. Para a busca de um caminho mais sustentável, uma das soluções ali sugeridas era o reflorestamento.

E os jogos prometem ajudar também nisso. Cada um dos atletas que participou da cerimônia recebeu uma semente ao entrar no campo. As sementes, de 207 espécies diferentes, serão plantadas no local em que hoje está instalado o Parque Radical, no Complexo Esportivo de Deodoro, onde será criada a Floresta dos Atletas.

A iniciativa mereceu destaque na imprensa internacional. Segundo o The Washington Post, “não foi apenas celebração e alegria, medalhas de ouro e orgulho nacional, mas sim uma mensagem clara sobre os desafios enfrentados pelo planeta e um lembrete nada sutil de que todos os países do mundo estão inexoravelmente ligados em seus destinos”. No mesmo sentido, o inglês The Guardian destacou que há um contraste interessante entre a abertura realizada na sexta-feira e as dos jogos de Beijing em 2008 e em Londres, em 2012. Enquanto as duas cerimônias anteriores abordaram a história dos países-sede, no Rio a mensagem passada é de que “é preciso fazer algo sobre o meio ambiente ou podemos não ter muitos Jogos Olímpicos para celebrar no futuro”.

(Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Além disso, com orçamento abaixo das cerimônias realizadas nas últimas edições, a criatividade encontrou lugar para lembrar a importância do pensamento coletivo. No momento mais esperado da cerimônia, o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima acendeu a pira olímpica do estádio. A pira dos Jogos Olímpicos Rio 2016 tem uma pequena chama, que fica em frente da escultura do artista plástico Anthony Howe, formando um conjunto que representa o sol. A quantidade pequena de fogo, segundo a organização, permite uma chama de baixa emissão de carbono – e já seria mais um indicativo de que tudo contribui e cada um precisa fazer a sua parte.