Bicicletas compartilhadas podem garantir mais segurança?

(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Os sistemas de compartilhamento de bicicletas públicas nos Estados Unidos começaram a ser implantados em 2007, em Tulsa, no estado de Oklahoma. Desde então, 35 milhões de viagens foram realizadas e nenhum acidente fatal foi registrado. O surpreendente dado foi analisado pelo Mineta Transportation Institute (MTI) para testar se isso é apenas uma casualidade. Descobriram que não é.

Isso não significa que pessoas que optam por pedalar nos Estados Unidos não estão a salvo. Ainda que baixo, o número de fatalidades é de 21 a cada 100 milhões de viagens de bicicletas particulares. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), 900 ciclistas morreram em 2013 no país. Acidentes não-fatais também foram registrados em menor número entre usuários do bike-share. Os três maiores sistemas de bicicletas compartilhadas americanos – de Washington, D.C., São Francisco e Mineápolis – contabilizaram menos colisões e ferimentos a cada 100 mil viagens comparados aos números de bicicletas particulares. Em Washington, D.C. são 65% menos veículos envolvidos em colisões a nível nacional.

Para entender esses números, os pesquisadores consultaram especialistas da indústria e formaram grupos focais nas regiões pesquisadas, o que resultou em duas explicações: Design e cuidado redobrado.

Conforme o estudo, as bicicletas dos sistemas compartilhados são mais resistentes, constituídas para durarem mais tempo. Elas são robustas, pesadas e projetadas para menores velocidades. Um dos participantes do estudo, Elliot Martin, afirma que as magrelas não foram pensadas com foco em segurança, mas ela parece ser um “efeito colateral”. Além disso, as bicicletas são equipadas com sistemas de iluminação adequados e são coloridas, facilitando enxerga-las de longe. A outra razão diz respeito a atitude dos usuários, que são mais cuidadosos ao pedalar bicicletas públicas.

O fato dos sistemas de bike também estarem presentes especialmente em cidades maiores, mais densas e mais propícias a ter faixas exclusivas e protegidas para ciclistas também é considerado como importante pelos estudiosos. Sobre o uso do capacete, uma discussão controversa, o estudo afirma que, empiricamente, qualquer possível benefício em relação à segurança dos sistemas compartilhados não está relacionado ao uso do capacete. Porém, o baixo número de usuários das compartilhadas que utilizam capacete é sugerido pelos autores como possível “questão-chave” para futuras pesquisas.

Ainda não existe nenhum levantamento como esse sobre os sistemas do Brasil, porém os resultados poderiam ser semelhantes. Aqui, as compartilhadas também não ajudam quem gosta de maiores velocidades. O que falta, em muitos casos, é a infraestrutura adequada e o uso consciente.

  • Zizzo Bettega

    Motoristas também tem um comportamento muito diferente quando vê o que ele acha ser um ciclista eventual numa bicicleta pública.