Mundo está a menos de 0,5°C do limite seguro para o aquecimento global

(Foto: Jay Mantri/Pexels-CC)

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Em julho de 2015 perguntamos até quando aquele seria o mês mais quente da história. A resposta veio logo no mês seguinte, quando agosto se tornou o mais quente já registrado. Os recordes continuaram sendo batidos, e chegamos a 2016 com 14 quebras de recorde de temperatura consecutivas – fato que pode levar este ano a ser o mais quente da história, superando o anterior. E isso também não é novidade, afinal, os quinze anos mais quentes já registrados na história ocorreram neste século.

Isso ocorre em um cenário de apenas meio ano após a Conferência do Clima em Paris, a COP21 – que designou um acordo ,em que os países acordaram em metas de longo prazo para manter o aumento da temperatura média global em menos de 2°C, e em estabelecer esforços para limitar o aumento em 1,5°C, e para zerar as emissões líquidas na segunda metade deste É imprescindível, portanto, que se aliem as forças do avanço científico com o esforço de Estados, governos locais e regionais, academia, indústria e sociedade civil.

Em 2015, a temperatura média do planeta sofreu um aumento de 0,9°C em relação à do final do século 19, uma mudança gerada a partir do aumento da concentração das emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa . Há crédito para o El Niño que, segundo pesquisadores, é responsável por pelo menos 0,1°C da elevação da temperatura.

O recorde que não queremos quebrar

“ O aumento da temperatura média global de um ou dois graus centígrados pode soar como pouca coisa. No entanto, essa elevação que já tivemos resultou na duplicação dos dias e noites extremamente quentes em muitos países, bem como em tempestades sem precedentes, inundações, secas, crises alimentares, derretimento das capas glaciais e dos solos congelados, além da elevação do nível dos mares e submersão de grandes áreas de terra – alguns países já perderam ilhas e tiveram que resgatar seus habitantes”, ressalta a campanha encampada pelo Observatório do Clima em parceria com o Fórum dos Países Vulneráveis ao Clima; o GIP (Gestão de Interesse Público) e o PNUMA.

“A campanha do Observatório do Clima tem um papel essencial de incentivar os governos em estabelecerem esforços para limitar o aumento da temperatura média global em 1,5°C e para uma descarbonização da economia nas próximas décadas”, destaca a Coordenadora de Projetos de Clima do WRI Brasil, Viviane Romeiro.

A campanha esclarece como 1.5ºC representa o aumento  seguro da temperatura global que ainda podemos alcançar, conforme as recomendações científicas. Não cumprir essa meta trará riscos significativos à sobrevivência de nações-ilhas como Kiribati, Maldivas e Tuvalu, a regiões costeiras como o Delta do Mekong, Flórida e sul de Bangladesh e cidades costeiras como o Rio de Janeiro, Santos e Recife.

Segundo um estudo do Climate Central, com as emissões de gases se mantendo como estão hoje, o planeta poderia chegar ao aquecimento de 4ºC. Isso causaria a dilatação do oceano como resultado do aquecimento: o degelo e a degradação das calotas polares faria com que o nível das águas subisse, em média, 8,9 metros, provocando a submersão de áreas onde vivem 600 milhões de pessoas atualmente.

Por esse motivo, o cenário de aquecimento do planeta continua motivando líderes e campanhas em todo o mundo a potencializarem em suas mensagens a importância de tratarmos dos desafios da  adaptação às mudanças climáticas.

Com a expectativa de que até 2050  mais 1,2 bilhão de pessoas viverão nas cidades, é preciso pensar em transporte coletivo de melhor qualidade, uma maior oferta de fontes de energia renovável, eficiência energética, gestão de água e resíduos, segurança e qualidade de vida.