Finlândia se prepara para o futuro da mobilidade compartilhada e sob demanda

Helsinki repensa mobilidade urbana. (Foto: Jori Samonen/Flickr-CC)

Helsinki repensa mobilidade urbana. (Foto: Jori Samonen/Flickr-CC)

Hoje pode parecer difícil de imaginar, mas em um futuro não tão distante, ter um carro será algo do passado. Afinal, para que precisamos de tantos automóveis com apenas uma pessoa dentro? A cidade de Helsinki já está pensando nisso, e pretende chegar nesse patamar em menos de dez anos.

Com 600 mil habitantes, a capital finlandesa ainda não tem grandes problemas de mobilidade. Porém, com as projeções de expansão populacional – que indicam 860 mil habitantes até metade do século -, e o consequente aumento da densidade demográfica, a cidade sabe que o futuro trará adversidades.

Preocupada com isso, a estudante de 26 anos Sonja Heikkilä defendeu em sua tese de mestrado que, enquanto os meios de transporte estão melhorando e se tornando mais modernos, os sistemas de entrega deles não seguem a mesma evolução. O trabalho da engenheira de transportes ajudou Helsinki a montar um ambicioso plano de mobilidade, o que muitos atualmente descrevem como “mobilidade por demanda”.

A ideia é mudar o modus operandi atual em que pagamos por viagem, passes limitados ou mensalidades. No futuro, pagaremos pela rota, por quilômetro ou uma taxa mensal fixa. “Queremos cidades mais habitáveis”, diz Sonja. O plano é transformar o sistema de transportes da cidade em um serviço que tem o potencial de aliviar os congestionamentos, as emissões de carbono e tornar as viagens diárias mais rápidas e eficientes.

Transporte como um serviço, não algo que a maioria apenas compra, é a chave para um sistema de sucesso. No cenário pensado por Sonja, um viajante habitual pode embarcar em um bonde por algumas estações e, então, fazer uso de uma bicicleta compartilhada para chegar até o escritório. No outro dia, ele pode decidir encontrar amigos e usar um carro compartilhado, depois um ônibus para uma rota diferente.

13526772544_aeaf736004_kSegundo estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE ), essa nova forma de mobilidade já é discutida há vários anos, porém apenas com a evolução da tecnologia e a disseminação de seu “instrumento-chave”, o smartphone, ela se tornou viável.

Imagine inserir a origem e o destino da sua viagem no aplicativo do seu smartphone, colocando algumas preferências, seja de rotas ou de meios de transporte. O recurso irá, então, planejar toda a viagem e ainda funcionar como uma plataforma de pagamento, que soma todos os custos e lhe permite fazer um único desembolso.

O projeto que está sendo estudado em Helsinki pretende tornar quase inútil a propriedade de carros até 2025. Porém, mudanças já estão sendo feitas na cidade. O serviço Kutsuplus, disponível desde 2013, oferece uma frota de micro-ônibus que funciona sob demanda e permite que os passageiros determinem as suas próprias rotas e horários personalizados e paguem pela viagem através do smartphone. O serviço tem um custo maior do que uma passagem convencional de ônibus, mas menor do que custaria a tarifa de táxi ao percorrer a mesma distância.

Hábitos de se pensar o transporte, após décadas de priorização do automóvel, podem ser difíceis de mudar. O que a cidade finlandesa propõe não é o fim dos carros, mas uma transformação do individual para o coletivo. Afinal, conexões são também coletividade.