Mapa de declividades: um banco de dados para pensar a acessibilidade em Belo Horizonte

(Foto: Maurício Morello/Flickr-CC)

(Foto: Maurício Morello/Flickr-CC)

Declividades podem ser vistas como restrições à acessibilidade. Como em muitas outras cidades brasileiras, a topografia de Belo Horizonte é uma das dificuldades que pessoas com deficiência, ciclistas e pedestres enfrentam em suas rotinas urbanas. O Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas gerais, em parceria com o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil) e com a BHTrans, decidiu elaborar um Mapa de Declividades de Belo Horizonte. Dessa forma, as informações sobre as diferentes ladeiras e altitudes da cidade podem ser utilizadas para potencializar o uso do solo e a acessibilidade da capital mineira – ciclistas, pedestres e pessoas com deficiência poderão calcular suas rotas de maneira a potencializar seus trajetos.

(Mapa de Declividades de BH)

(Mapa de Declividades de BH)

O mapa é, em linhas gerais, um banco de dados com as declividades mínima, máxima e média de 51.713 trechos de vias da cidade. O acesso a essas especificidades possibilita um melhor planejamento da mobilidade urbana por parte do poder público. Afinal, a identificação desses pontos difíceis auxilia desde a elaboração de uma rede cicloviária e de trajetos de pedestres até o itinerário tomado por transportes de carga e transportes públicos.

concAs diferenças de altura das vias e as dificuldades de acessibilidade da cidade não precisam ser solucionadas de maneira única e linear – construir cidades acessíveis para todos é um desafio, e o fluxo de informações proposto pelo mapa auxilia no processo de pensar soluções. Recentemente, o WRI Brasil Cidades Sustentáveis promoveu, também na cidade de Belo Horizonte, o Concurso Acessibilidade para Todos, que pontuou a gama de soluções que podem ser apresentadas para diferentes problemas de acessibilidade. Em uma das categorias do concurso, arquitetos e engenheiros puderam participar com ideias de requalificação de espaços, equipamentos e sistemas de mobilidade urbana para um dos trechos com declividade acentuada.

Uma das ideias que recebeu menção honrosa propôs passarelas suspensas que podem ser utilizadas com bondes aéreos sob cabos (TRAM) para vencer grandes desníveis. Além disso, as passarelas seriam paralelas às ciclovias também suspensas, conforme imagem ao lado. Confira a proposta na íntegra, aqui. É uma entre tantas ideias possíveis para lidar com esses desafios.

O estudo que resultou no Mapa de Declividades é, portanto, uma análise minuciosa de 4,7 mil quilômetros de ruas e avenidas da capital mineira. Para avaliar de maneira mais abrangente possível, os pesquisadores cruzaram informações com os bancos de dados já existentes da Prefeitura de Belo Horizonte e conseguiram medir os percentuais de declividade das vias, quarteirão por quarteirão. As fontes são o mapa de altimetria (curvas de nível) e o mapa do sistema viário (eixos dos logradouros) da cidade. O mapa viário utilizado foi obtido na Prodabel em maio/2016.

É possível consultar os valores de declividade tanto em graus quanto em porcentagem, para cade trecho – metro a metro – das vias da cidade. Em média, BH apresenta uma média de 12,51% de declive. Segundo informações da Assessoria de Comunicação da BHTrans, as regiões com trechos mais suaves são a Área Central e a Pampulha. A regional com menor declividade média é a Pampulha (8,69%). As regiões com maior concentração de trechos íngremes, como os próprios nomes indicam, são o Aglomerado da Serra, o Taquaril, o Morro das Pedras e o Aglomerado Santa Lúcia. A regional com maior declividade média é a Centro-Sul (16,17%).

O mapa já foi recebido pela BHTrans no início de julho. Algumas inconsistências foram detectadas e o material foi enviado para revisão antes de ser efetivamente utilizado pela empresa. A expectativa é que esse banco de dados possa estimular a criação de aplicativos que permitam o cálculo de rotas adequadas para cada pessoa com suas diferentes capacidades e ajudem a escolher a melhor opção de transporte.