Restauração da camada de ozônio evidencia importância de acordos ambientais

Camada de ozônio da Antártida está 4 quilômetros quadrados menor do que seu pico de tamanho. (Foto: Eugene Kaspersky/Flickr-CC)

Buraco da camada de ozônio da Antártida está 4 quilômetros quadrados menor do que seu pico de tamanho. (Foto: Eugene Kaspersky/Flickr-CC)

Aos céticos em relação aos acordos e tratados ambientais, uma recente notícia traz uma prova de que unir esforços gera resultados. Quase três décadas atrás, centenas de países assinaram o Protocolo de Montreal, tratado que visa a redução do comércio e a produção de substâncias que destroem a camada de ozônio (SDOs). Hoje, o buraco dessa camada de proteção natural do planeta está em processo de cura.

Um estudo publicado pela revista Science afirma que o buraco da camada de ozônio na Antártida está diminuindo. Essa abertura é formada a cada ano a partir de setembro até o começo de dezembro. De acordo com uma pesquisa realizada pelos Estados Unidos e o Reino Unido, o buraco já teria diminuído mais de 4 milhões de quilômetros quadrados – ou cerca de metade da área contígua dos Estados Unidos – desde seu pico, em 2000.

“O paciente está realmente começando a melhorar”, disse a autora principal do estudo, Susan Solomon, do MIT. “Ele ficou muito doente nos anos 1980, quando estávamos bombeando todo aquele cloro para a atmosfera”. Na década de 1970, cientistas sugeriram que a camada de ozônio da Terra, que fica a cerca de 10 a 50 quilômetros da superfície e nos protege contra a radiação ultravioleta (UVs), estava diminuindo devido a alguns compostos fabricados pelo homem, como o Halon, o Clorofluorcarbono (CFC), o Hidrofluorcabono (HCFC), o Tetracloreto de Carbono (CTC), e o Brometo de Metila. Essa descoberta fez com que nações somassem esforços para deter o fenômeno. O Protocolo de Montreal foi assinado em 16 de setembro de 1987, mas entrou em vigor somente no dia 1º de janeiro de 1989.

Atualmente, 191 países participam do Protocolo de Montreal, que é considerado o tratado ambiental de maior sucesso de todos os tempos. É creditado a ele a queda de 97% no uso de gases nocivos ao planeta entre os anos de 1980 e 2000. “Agora, podemos ficar confiantes de que as medidas que tomamos colocaram o planeta em um caminho para a cura”, disse Susan.

Não há dúvidas que as palavras da cientista dão sentido aos novos acordos climáticos que vêm sendo assinados nos últimos anos, em especial o Acordo de Paris, um dos principais êxitos alcançados por líderes globais no combate ao aquecimento global e que deve entrar em vigor até 2020.

 

“Nos dá esperança de que não devemos ter medo de enfrentar grandes problemas ambientais”, diz Susan Solomon

 

“É muito bom para nós, não é? Não somos seres incríveis, que fizemos algo que criou uma situação e que decidimos, coletivamente, ‘vamos nos livrar dessas moléculas?’. Nos livramos delas, e agora estamos vendo o planeta responder”, exalta Susan, cuja pesquisa há 30 anos ajudou a tornar real o Protocolo de Montreal. “A Ciência foi útil para mostrar o caminho. Diplomatas, países e as indústrias foram incrivelmente capazes de traçar uma alternativa ao uso dessas moléculas, e agora nós estamos realmente vendo o planeta melhorar. É algo maravilhoso.”

“Então, 28 anos depois de o Protocolo de Montreal ser acordado temos fortes evidências de que o buraco do ozônio está ficando menor. Eu diria que este é um feito notável, particulamente no mundo de gratificação instantânea em que vivemos”, completou o cientista atmosférico da Universidade de Maryland, Ross Salawitch. Os cientistas explicaram que o buraco não estará completamente fechado até pelo menos 2050. Erupções vulcânicas, assim como mudanças na temperatura e a velocidade dos ventos também contribuem para a perda de ozônio.