Referendo em Berlim: o plano para turbinar o uso da bicicleta em menos de uma década

Bikes proibidas de estacionar em poste de Berlim. (Foto: Paul Kamblock/Flickr).

Bikes proibidas de estacionar em poste de Berlim. (Foto: Paul Kamblock/Flickr).

Berlim é uma cidade fora de série em muitos sentidos. Sua história de 800 anos inclui espetaculares edifícios neoclássicos do Reino da Prússia e da República de Weimar, os restos da Topografia do Terror (do nazista Terceiro Reich e sua “solução final”), pedaços do muro que dividiu o Oriente “Democrático” e o Ocidente “Federal” entre 1961 e 1989, novas construções da Alemanha reunificada, como a impressionante Estação Central de trem ou a cúpula do Reischatag e o edifício Paul Löbe do Parlamento Federal. Berlim é a capital da Alemanha e a cidade mais populosa e de maior área do país: 3,7 milhões de habitantes em 892 quilômetros quadrados.

Seu sistema de mobilidade é mais sustentável que a média alemã, com menos carros, mais transporte público, mais viagens a pé, e porcentagem similar de viagens de bicicleta. O índice de propriedade de carros pode ser considerado baixo para uma cidade desenvolvida: 327 carros para cada mil habitantes, frente a 786 carros a cada mil habitantes dos Estados Unidos.

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(Fonte: Discover Berlin by Sustainable Transport, German Partnership for Sustainable Mobility)

No entanto, grupos de ativistas locais vêem com preocupação a atual trajetória da cidade e promovem um plano para levar a participação da bicicleta a 20% em um período de oito anos. Para isso, propuseram um referendo cidadão com dez objetivos:

– Ruas mais seguras para o uso da bicicleta por todos, incluindo crianças e idosos.

– Infraestrutura segura para bicicletas em todas as principais avenidas

– Intersecções mais seguras

– Mais bicicletários seguros

– Dar à bicicleta a preferência de sinais semafóricos verdes

– Ciclovias rápidas para viagens a trabalho e estudo

– Controle do tráfego para torná-lo mais seguro e consciente

– Mais representantes dos usuários de bicicleta em conselhos

– Preparar Berlim para o incremento do uso da bicicleta

Fuente:

 

Os proponentes reclamam que essa é a forma mais econômica, rápida e efetiva de alcançar os objetivos de mitigação das mudanças climáticas que foram propostos para a cidade, de reduzir as emissões de CO2 em 40% em 2020 e 85% em 2050. Seu material promocional indica que o plano teria um custo de apenas 13 euros por cidadão ao ano.

A proposta de referendo surgiu em novembro de 2015 por 30 cidadãos preocupados com a falta de infraestrutura segura, a pesar do uso crescente e intensivo da bicicleta em Berlim. A cidade conta com 970 quilômetros de caminhos para bicicleta e 290 quilômetros de ciclovias nas vias principais. Cerca de 70% dos 5,400 quilômetros de ruas são vias secundárias com limite de 30 km/h. Parece ideal, mas a cidade recebeu uma baixa qualificação no índice de uso de bicicletas do Copenhagneize, que afirmou que “se analisarmos o progresso, em Berlim ele é lento e do século passado”.

Uso de bicicleta en Berlim de 1952 a 2012 (1961=100)

Fonte: Discover Berlin by Sustainable Transport, German Partnership for Sustainable Mobility

Fonte: Discover Berlin by Sustainable Transport, German Partnership for Sustainable Mobility

Desde maio de 2016 os proponentes recolhem assinaturas para levar a referendo a proposta de Lei de Bicicletas de 10 pontos. De acordo com as normas de participação cidadã, são necessárias 20 mil assinaturas para que o Parlamento de Berlim vote a iniciativa e ela possa ser levada a referendo. Para isso, será necessário recoletar 180 mil assinaturas. A meta é realizar o referendo em setembro de 2017.

Os ativistas estão confiantes de que o processo será exitoso. Será uma referência mundial de ativismo efetivo para a mobilidade sustentável.

Veja alguns links para entender o assunto: um artigo de Mikael Colleville-Anderson, outro no 360 Yale Environment, outro da agência de notícias Archyworldcys, esse, que tem um grande vídeo e, claro, um link em alemão.

 

Este post foi publicado originalmente no The City Fix México.