A resiliência climática urbana como parte essencial do desenvolvimento das cidades

(Estação de ônibus próxima ao Mercado Público de Porto Alegre. Foto: Benoit Colin/WRI)

(Estação de ônibus próxima ao Mercado Público de Porto Alegre. Foto: Benoit Colin/WRI)

Lar de mais de metade da população do mundo, as cidades estão entre os lugares mais vulneráveis aos impactos de um planeta mais quente. Porém, em muitos sentidos, elas ainda não estão equipadas para lidar com os desafios trazidos pelas mudanças climáticas.

Enquanto mais de 450 cidades se comprometeram a reduzir as suas emissões, como parte do Compacto de Prefeitos, poucas áreas urbanas têm planos de adaptação ou resiliência estabelecidos. Mesmo em cidades com iniciativas de adaptação, em muitos casos esses planos são tratados como algo separado, não integrado ao núcleo de decisões do planejamento das cidades, como o transporte e uso do solo.

Por isso o 100 Resilient Cities (100RC) e o WRI Ross Center for Sustainable Cities estão se unindo para ajudar as cidades a enxergar o planejamento urbano pelo olhar da resiliência. A parceria serve para garantir que as cidades podem construir resiliência desde a sua base, aprendendo com os sucessos de adaptação dos seus pares e incorporando a adaptação nas operações da cidade e nas decisões de planejamento. A parceria também funciona para abrir rotas para financiar projetos de resiliência climática nas cidades.

Já é possível ver algumas cidades liderando esses dois assuntos, oferecendo lições poderosas para outros centros urbanos. Veja:

Tornando a resiliência mainstream

Um planejamento cuidados e com um olhar sobre o clima pode fazer uma cidade mais resiliente. A resiliência é necessária não apenas para a adaptação às mudanças climáticas, mas para manter a integridade social, econômica e de infraestrutura das cidades.

O planejamento da adaptação e da resiliência não atingirá os impactos pretendidos se forem considerados problemas menores. Em vez disso, essas medidas precisam se tornar parte da narrativa regular das cidades, incorporando projetos adaptados localmente em todos os aspectos do desenvolvimento urbano, desde o planejamento do uso do solo até decisões na área de transporte e habitação.

Porto Alegre é uma cidade que já está alcançando progressos nessa área. O município lançou uma Estratégia de Resiliência para integrar esse conceito em todos os aspectos do planejamento. Construído com o suporte do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, Porto Alegre também desenvolveu uma estratégia integrada de resiliência, com objetivos como a melhoria da regularização fundiárias, aumento do acesso a opções de mobilidade sustentáveis, e a inclusão do orçamento participativo.

O Rio de Janeiro está usando as lentes da resiliência de forma similar para examinar seu planejamento urbano. O WRI Brasil Cidades Sustentáveis integrou pesquisa de resiliência com consulta popular para produzir um conjunto inovador de indicadores de resiliência em nível individual e comunitário, incluindo fatores como coesão social, alcance institucional, percepção de risco quanto às mudanças climáticas e recursos econômicos. Ao focar na resiliência para os habitantes da cidade, a pesquisa serviu para embasar o plano voltado às pessoas desenvolvido pela prefeitura e contribuiu para o Rio de Janeiro lançar, recentemente, sua Estratégia de Resiliência. O WRI e o 100RC buscam agora dar escala a alguma dessas práticas em outras cidades, como São Paulo.

Financiando a resiliência

Pesquisas recentes estimam que haja um déficit de financiamento de aproximadamente US$ 4 a US$ 5 trilhões por ano para infraestrutura resiliente e sustentável. Esse déficit significa que as cidades terão que fazer mais com menos. O pensamento resiliente é uma forma de fazer justamente isso. Ao orientar o planejamento da cidade às práticas de resiliência, cidades podem descobrir novas formas eficientes de investimentos para alcançar múltiplos benefícios.

Algumas cidades já estão dando passos no sentido de buscar financiamento especificamente para a resiliência. Em 24 cidades da rede 100RC prefeitos e líderes das cidades prometeram destinar 10% do orçamento para projetos e iniciativas de resiliência. Enquanto persistirem as lacunas no financiamento da infraestrutura urbana, esse é um importante primeiro passo.

Fontes inovadoras de capital estão surgindo e a parceria entre o WRI e o 100RC irá revelar mais possibilidade. Por exemplo, o WRI’s Climate Resilience Practice realizou uma parceria com o Fundo de Desenvolvimento de Capital das Nações Unidas para ajudar países a desenvolver sistemas nacionais para canalizar o financiamento climático global para projetos de resiliência em nível local.

As cidades do futuro serão determinadas por decisões que urbanistas e líderes locais estão tomando hoje. O WRI e o 100RC estão prontos para ajudar os tomadores de decisão a colocar a resiliência no cerne das suas agendas urbanas.

Esse post foi escrito por Ani Dasgupta e Michael Berkowitz e originalmente publicado no site do 100 Resilient Cities.