4 lições para intensificar o transporte sustentável nos dois países mais emissores de poluentes

(Foto: Michael Kodransky/ITDP)

(Foto: Michael Kodransky/ITDP)

Os dois maiores emissores do mundo têm muito a aprender um com o outro – especialmente sobre transporte.

Transportes são uma importante fonte de emissão de CO2 na China e nos Estados Unidos, pois correspondem, respectivamente, a 20% e 30% do total de emissões desses países. Nas cidades chinesas, a porcentagem de pessoas se deslocando de carro aumentou de 15% para 34% em Pequim entre 2002 e 2013, causando a poluição do ar e alimentando as mudanças climáticas.

Essa foi a razão de autoridades e especialistas das duas nações terem se reunido recentemente no Fórum de Transportes Estados Unidos-China, sediado em Los Angeles, evento anual que reúne setores público e privado com o objetivo de impulsionar o comércio, acelerar o compartilhamento de conhecimentos e inspirar soluções para os desafios comuns.

Os especialistas discutiram maneiras de criar transportes mais sustentáveis em cidades – abordando temas como transporte público, ciclovias e passarelas para pedestres – e reuniram  quatro grandes ideias:

(Foto: Benoit Colin/WRI)

(Foto: Benoit Colin/WRI)

1. Aprenda com os projetos que oferecem soluções inovadoras

Campanhas locais de “ruas completas” estão surgindo em todas as cidades americanas, repensando as funções das ruas para que sejam mais multimodais, multifuncionais e focadas em pessoas ao invés de carros. Por exemplo, Nova York criou zonas de tráfego lento e fechou para carros algumas de suas ruas. Estas soluções de baixo custo produzem enormes benefícios, incluindo o aumento do tráfego a pé e a revitalização de bairros. Em Seattle, o redesenho das ruas com calçadas permeáveis e jardins de chuva ajudou a gerenciar o escoamento de águas pluviais poluídas.

Agora, programas federais estão surgindo para ajudar tais projetos como estes a se espalhar mais rápido. Por exemplo, saiu a primeira lei federal que endossa ruas completas, além do ato de fixação de Transportes de Superfície da América (FAST), que encoraja os municípios a relatar o progresso de suas ruas completas, requere o uso de um Guia de Desenho Urbano e fornece subsídios para projetos pertinentes. Consequentemente, as cidades americanas emitiram mais de 900 políticas de ruas completas locais.

Da forma similar, condicionadas pelo Código Urbano de Desenho de Estradas, as cidades chinesas têm algumas das mais amplas infraestruturas de ciclismo do mundo. Com o apoio do WRI, o governo chinês introduzirá em breve um manual de acesso seguro às estações, que foi projetado para ajudar as cidades a criarem ruas mais seguras para os pedestres.

2. Configurar as métricas de desempenho corretamente

As falhas frequentes do Sistema de metrô em Nova York e Washington sugerem não apenas uma falta de manutenção, mas de métricas adequadas de performance adotadas pela indústria de transporte. Por exemplo, a maioria das autoridades de trânsito usa uma métrica chamada “on-time performance”, que nota se um trem não cumpre o seu horário, mas não quão atrasado ele está. Esse tipo de indicativo cria um quadro incerto sobre as forças e fraquezas do sistema, que impedem os problemas de serem solucionados.

A Autoridade de Transporte Metropolitano de Nova York (MTA) está considerando uma métrica melhor, conhecida como tempo excessivo de espera. Ela quantifica o atraso de um trem em comparação às frequências da tabela de horários, capturando assim o tempo de espera médio e revelando problemas reais com as operações de trânsito.

Da mesma forma, na China, o WRI tem trabalhado com os governos para empregar índices de satisfação de usuários dos serviços de transporte como um indicador chave de desempenho da qualidade, conforme exigido pelo 13º Plano Nacional Quinquenal. As avaliações ajudarão a fornecer uma avaliação abrangente dos serviços de trânsito que de outra forma seriam negligenciados em métricas tradicionais, como conforto.

3. Trabalhar em redes compartilhadas

Projetos de transportes urbanos muitas vezes envolvem várias agências, como aquelas que se dedicam ao desenvolvimento urbano, transporte e aplicação das leis. Como prioridades, ciclos de financiamento e métricas de diferentes agências de desempenho nem sempre se alinham, trabalhar compartilhando as informações é extremamente importante.

Na China, as bolsas nacionais de diferentes ministérios são, por vezes, reunidas em uma única agência para a utilização coordenada. Por exemplo, melhorias para ciclistas são financiadas pelo Ministério da Habitação e Desenvolvimento Rural e Urbano em parceria com um financiamento feito pelo Ministério dos Transportes. Dessa forma, podem acontecer melhorias holísticas e abrangentes.

4. Programas Nacionais podem ampliar sucessos locais.

Os programas nacionais são veículos essenciais para acelerar a adoção de ideias de transportes urbanos sustentáveis em grande escala.

O Ato de Transporte de Superfície de Fixação da América (FAST), citado anteriormente, feito em 2015, autorizou US$ 60 bilhões – cerca de 42% dos investimentos de capital de trânsito do país – para melhorar os serviços de trânsito nos próximos cinco anos. Da mesma forma, o 13º Plano Quinquenal da China (2016-2020) deu apoio sem precedentes para o programa de Demonstração de Trânsito das Metrópoles. Essa iniciativa visa capacitar metade das cidades chinesas financeira e tecnicamente até 2020 para melhorar o serviço de trânsito e promover o desenvolvimento orientado ao transporte.

Com base nessas lições, ambos os países podem conduzir grandes mudanças em seus sistemas de transporte.

O WRI apoia o Programa de Demonstração de Trânsito Metropolitano da China. Ele testa ideias e desenvolve soluções em Suzhou, Guiyang, Kunming, e Zhuzhou. Também ajuda a ampliar sucessos locais através da definição das políticas nacionais, trabalhando em parceria com o Ministério dos Transportes e outros ministérios.

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