Iniciativa em Porto Alegre cria sistema de bikes compartilhadas de pessoas para pessoas

Projeto já está funcionando, mas ainda receberá melhorias. (Foto: Sergio Trentini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Projeto já está funcionando, mas ainda receberá melhorias. (Foto: Sergio Trentini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

A vontade de contribuir para uma melhor mobilidade em Porto Alegre e a certeza de que o melhor caminho para isso seria a sustentabilidade foi o que motivou um grupo de jovens a criar um novo sistema de bicicletas compartilhadas na cidade. Uma conversa durante um churrasco foi o que bastou para surgir a ideia: “O verdadeiro bike-sharing, de pessoas para pessoas”.

O weBike surgiu no primeiro Desafio Empreendedor UFRGS, programa que estimula os alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul a empreender. “Nossa equipe se uniu por um propósito: sustentabilidade. Fomos em busca de diversos problemas que víamos na sociedade para que conseguíssemos solucionar algum deles”, conta Lorenço Boettcher, um dos idealizadores. O Desafio é organizado pela Pulsar, um hub de cultura empreendedora que desenvolve negócios disruptivos. O programa é realizado por facilitadores e mentores de diversas áreas do mercado e oferece workshops para os alunos viverem experiências que simulam desafios reais do dia a dia de empreendedores.

Lorenço é um dos jovens responsáveis pela criação e manutenção do weBike. (Foto: Sergio Trentini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Fortalecer a conexão das pessoas entre si e com a cidade é o que norteia o grupo, formado por estudantes de 20 e 21 anos. “Nos demos conta da dificuldade que tínhamos de nos locomover na cidade e, principalmente, da dependência que temos dos carros”, explica Lorenço. A proposta é simples: quem tem uma bicicleta parada pode emprestá-la para quem precisa. Quem não tem bike e gostaria de ter a possibilidade de pedalar, pede uma emprestada. O weBike entra com a tecnologia necessária para que esse fluxo aconteça da maneira mais fácil e segura possível.

Hoje, o modelo de negócio já está sendo validado e funciona através de um produto viável mínimo (MPV, do inglês Minimum Viable Product) bastante simples. A comunicação entre os usuários é feita através de um grupo no WhatsApp. “Quando o weBiker quiser uma bicicleta, ele manda no grupo o local onde ele está e nós enviamos para ele a localização da bike mais próxima com a senha”, explica Lorenço. As magrelas ficam em estabelecimentos comerciais parceiros da iniciativa, chamados de wePoints.

Mas esse é apenas um modelo provisório. O grupo desenvolve um aplicativo e um weLock, cadeado inteligente que se comunica com o aplicativo para liberar a senha que “desbloqueia” a bicicleta. A fase atual é de testes e validações, e de fazer o grupo crescer ainda mais. A rede de parceiros já é grande, com nomes como Biciponto, Vulp Bici Café, Cicloatividade, Pulsar, ZISPOAHub Paralelo, onde funciona a sede oficial do weBike. “São muitas iniciativas, com diversas finalidades que, de alguma forma, se conectam ao weBike. São empresas, ONGs, startups, movimentos, iniciativas complementares que tornam o ecossistema empreendedor e da bike cada vez mais fortes em Porto Alegre”, destaca Lorenço, que também é presidente da Mandala Soluções em Engenharia Ambiental, empresa júnior do curso de Engenharia Ambiental da UFRGS que tem a finalidade de prestar serviços de inovação em engenharia, associando boas práticas de sustentabilidade a diferentes atividades.

Bikes podem ser retiradas nos wePoints (Foto: Sergio Trentini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Quem quer ser um weBiker e disponibilizar sua bicicleta terá acesso ilimitado a todas as outras bikes e a manutenção constante da sua. Quem não tem bike, paga uma taxa de 1 real por dia no plano mensal, ou seja, 30 reais por mês, e pode pegar as magrelas quantos dias quiser. O tempo de permanência das bicicletas ainda está em fase de adaptações. Atualmente, o grupo libera as bicicletas por mais horas para cada pessoa, para ser uma boa alternativa ao sistema BikePOA, da Prefeitura da capital gaúcha. Dependendo do horário, especialmente se for à noite, o weBike permite que o usuário leve a bicicleta para casa para evitar problemas, como assaltos. “A ideia é criar um algoritmo que consiga fazer uma leitura de quantas bikes é possível liberar para ficar na residência dos usuários”, explica Lorenço. “A vontade de revolucionar a mobilidade urbana de Porto Alegre vem nos mantendo em movimento para que consigamos atingir nosso objetivo”, completa.

Com o crescimento de mais essa boa iniciativa na cidade, vai ficar difícil arranjar desculpa para não pedalar. Se quiser começar, é só fazer o cadastro no site. Com o mesmo objetivo de não deixar as bicicletas juntando poeira em casa, a rede Spinlister também ajuda no compartilhamento de bikes. O Spinlister está presente em diversos países do mundo. O dono da magrela faz um cadastro no site e define o preço do aluguel e os dias em que ela estará disponível. Semelhante lógica de funcionamento é válida para o  Everbike,  sistema presente em Florianópolis. Ambas iniciativas funcionam facilmente através de aplicativos de celular.