Alternativas sustentáveis de mobilidade: experiências das ruas chilenas

(Foto: Banco Gráfico de Chile/Flickr-CC)

O Chile é um país que se destaca pela preocupação e, mais que isso, pelas ações em combate às mudanças climáticas. A notícia do início deste mês de que o país já é capaz de fornecer eletricidade gratuitamente evidencia o empenho com a questão. A batalha pela sustentabilidade se reflete de diversas formas no Chile, em especial no setor da mobilidade.

Diferentes iniciativas que colocam as pessoas no papel de protagonistas das cidades estão mudando a cara do país inteiro. A Plataforma Urbana listou alguns projetos de mobilidade urbana sustentável implementados pelos chilenos. Confira:

BMOV trici

No início do mês, o sistema BMOV trici completou um ano nas ruas. Apesar de existir em uma pequena escala, o projeto chama a atenção pela gratuidade e pela importância do serviço. Com design futurístico, sete triciclos oferecem passeios gratuitos no centro histórico da capital, Santiago. Eles devem ser utilizados preferencialmente por idosos, gestantes e pessoas com deficiência e suportam até três pessoas (o motorista e mais dois passageiros). O veículo possui pedais que funcionam juntamente com um motor elétrico e chegam a uma velocidade de 20 quilômetros por hora. Os veículos foram trazidos da China e são financiados exclusividade através de publicidade. O circuito começa na Plaza de Armas e passa em outros pontos turísticos como a Catedral Metropolitana, Correos de Chile, Palácio de La Moneda e termina no Mercado Central.

Elevadores de Valparaíso

(Foto: Javier Rubilar/Flickr-CC)

A cidade de Valparaíso chegou a ter 30 elevadores, construídos em 1883, que funcionavam a vapor. Hoje, no entanto, eles são movidos a eletricidade. Dos 16 que funcionam até hoje, três são integrados ao sistemade transporte coletivo, que foi lançado em 2015 e permite combinar as viagens de elevador, metrô, trem e as linhas de tróleibus.

Tróleibus de Valparaíso

Os tróleibus têm mais de 70 anos e, hoje, vários são monumentos históricos. O veículo é uma espécie de bonde que opera ligado a dois cabos superiores a partir do qual recebe energia elétrica. Eles também funcionam de maneira integrada ao sistema de transporte. Em 2014, chegaram a transportar mais de 3 milhões de passageiros, o que confirma sua validade.

Ônibus elétrico

O primeiro ônibus 100% elétrico do Chile começou a circular pelas ruas do centro de Santiago há pouco mais de um mês. Por enquanto, o veículo funciona gratuitamente e opera das 10h às 17h com seis paradas. Ele tem capacidade para 70 passageiros, sendo 19 sentados. Cada quilômetro rodado representa um custo de apenas 80 pesos chilenos. Com a bateria carregada – processo que leva 5 horas – o ônibus é capaz de andar 250 quilômetros.

A manutenção do veículo é muito mais econômica, já que custa 70% menos do que a manutenção de um ônibus convencional. Além de ser uma alternativa melhor ao meio ambiente, o ônibus elétrico ainda oferece Wi-Fi e carregadores de celular em cada assento.

Ônibus Híbrido Transantiago

Esse tipo de ônibus, que combina um motor elétrico com motor a diesel, passou a circular em Santiago no final de maio. O veículo pode economizar até 40% de energia e reduzir pela metade a emissão de óxido nitroso (NO2). A ideia é que outros veículos semelhantes possam ser incorporados na malha de veículos da Transantiago em breve.

Táxis fluviais do rio Valdívia

(Foto: Francisco Javier Argel/Flickr-CC)

No rio Calle-Calle de Valdívia três barcos se destacam dos demais não apenas pela cor amarela, mas por seus telhados com painéis solares que possibilitam a operacionalidade do veículo. Trata-se dos táxis fluviais Solar I, II e III, que funcionam como um serviço de transporte público através das águas do principal canal da cidade disponibilizados pela empresa Transporte Fluvial Sustentable (TFS). Com paradas em diferentes partes da cidade, principalmente em pontos turísticos, os táxis foram reconhecidos com o Prêmio Nacional Avonni Patagonia por não serem poluentes e não produzirem ruídos.

Táxis elétricos

Em dezembro do ano passado, a Câmara Municipal de Santiago apresentou os três primeiros táxis elétricos da região metropolitana do Chile. O custo de viajar em um desses veículos é o mesmo que em um táxi convencional. No entanto, eles não emitem gases de efeito estufa e geram muito menos ruídos. Dentro de um ano, a pegada de carbono de um táxi elétrico é expressivamente menor do que a de um convencional, já que a operação para obter a energia equivale a somente 23% de um sistema que funciona com gasolina.

Bicicletas gratuitas

Desde maio de 2009, um estação de trem de Santiago passou a disponibilizar bicicletas aos usuários que quisessem seguir viagem pedalando. O sucesso da iniciativa foi tão grande que o serviço BioBici levou o sistema a mais 12 estações. A ampliação possibilitou incorporar 40 novas bicicletas, juntamente com capacetes e cadeiras, que podem ser utilizados gratuitamento por qualquer pessoa.

Movigas

Nas ruas da cidade de Punta Arena circulam, desde 2009, uma frota de mais de 50 ônibus movidos unicamente a gás natural. Eles transportam cerca de 25 mil passageiros por dia. Cada um é capaz de gerar 10 vezes menos partículas e 20 vezes menos de óxido nitroso (NOx) em comparação aos ônibus tradicionais da Transantiago. Atualmente, o serviço executa quatro linhas que cobrem grande parte da cidade incluindo 27 paradas em faculdades e escolas.