As previsões dos cientistas para um mundo com dois terços da população vivendo nas cidades

(Imagem: Daniel Schwen/Wikimedia Commons)

Previsões são sempre um desafio. Muitos cientistas preferem não fazê-las, outros gostam de encarar sob a ótica de sua área de pesquisa. Em 20 de maio, a revista Science publicou uma edição especial sobre o mundo cada vez mais urbanizado previsto para o futuro. O objetivo da publicação era ajudar a entender como será a realidade quando quase todo mundo estiver vivendo nas cidades – estima-se que mais de dois terços da população mundial viva em áreas urbanas até 2050.

Selecionamos as opiniões mais instigantes sobre os sete temas propostos pela Science, respondidos por cientistas de diversas partes do mundo.

 

Poluição

“Para superar a poluição de forma eficiente, poderíamos usar micro-organismos com vias bioquímicas ou metabólicas alteradas para decompor compostos danosos ao ambiente. Uma fitorremediação (processo que usa plantas para combater contaminantes no solo e na água) amplificada de tóxicos e metais pesados do ambiente, com o auxílio de micro-organismos modificados, poderia facilitar o tratamento de solo poluído e de água em larga escala”.

Bipin Singh
Bioquímico do International Institute of Information Technology em Hyderabad, na Índia.

 

Energia Renovável

“A fusão promete ser uma fonte de energia limpa, mas apenas com o trabalho duro do nosso plasma e de físicos nucleares. A criação de baterias mais seguras e com muita capacidade teria que percorrer um longo caminho para solucionar nossa necessidade de armazenamento de energia”.

Congzhou Moke Sha
Físico da University of Pensylvania, nos Estados Unidos.

 

Saúde

“Cientistas de dados podem usar dados de saúde de dispositivos móveis e aparelhos de exercícios para calcular a quantidade ideal de caminhada necessária para minimizar os riscos cardiovasculares, o que pode ajudar a embasar decisões de quem faz o planejamento urbano”.
Edward Lau
Fisiologista da University of California, nos Estados Unidos.

 

Senso de comunidade

“De parques a avenidas com vegetação a árvores urbanas, soluções baseadas na natureza ajudam a construir um senso de comunidade e aumentam substancialmente nossa saúde física e mental. Pesquisadores do ecossistema urbano avaliarão o efeito da natureza no meio urbano e nas comunidades e desenvolverão ambientes mais resilientes e eficientes, de uma forma que seja justa para todos”.

Perrine Hamel
Hidrologista da Stanford University, nos Estados Unidos.

 

Segurança

“Se mais de dois terços da população viverão em cidades até 2050, aumentarão os arranha-céus, o que pode aumentar o risco de incêndios. Ao coletar dados com alta precisão e monitores em tempo real, reforçados pelo uso de big data e computação em nuvem, poderemos obter mapas dos riscos de incêndio e fazer análises de risco mais completas. Também poderemos focar em tecnologia de combate a incêndio nesses arranha-céus, como robôs que combatem o fogo e compartimentos de fuga capazes de resistir a ele”.

Jian Zhang
Químico do Hunan Institute of Technology, na China.

 

Comida

“Nas chamadas Smart Cities, parques e áreas verdes devem não apenas satisfazer demandas estéticas e de recreação, mas também fornecer espaço para que os cidadãos produzam sua própria comida”.

Nicolas Eduardo Bambach
Hidrologista do Centro de Cambio Global, da Pontifícia Universidad Catolica de Chile, no Chile.

Inovação

“Com a ajuda da biologia sintética, a cidade do futuro pode ser construída menos como um conglomerado de máquinas e mais como um sistema natural. Células podem ser desenvolvidas para sentir e responder a sinais do ambiente. Sistemas de comunicação por meio de sensores podem ser incluídos na infraestrutura da cidade. Tecnologia protocelular, um material que tem as mesmas propriedades de sistemas vivos, pode ser manipulada para fazer com que a arquitetura se regenere. Poderemos ver prédios que se autoconsertam”.

Gerd Moe-Behrens
Biotecnólogo do Leukippos Institute, na Alemanha.