Além do ar puro: os benefícios econômicos da arborização urbana

Se você só puder plantar uma árvore, plante-a em uma cidade.

A frase de David Nowak, PhD em Arborização Urbana pela Universidade da Califórnia, é categórica. Pesquisador-líder do US Forest Service, Nowak tem trabalhado em pesquisas que buscam avaliar os benefícios econômicos da arborização nas cidades. Ele criou o iTree, software que oferece às cidades as ferramentas necessárias para produzir inventários detalhados das árvores urbanas e calcular seu valor em dinheiro. O trabalho comprovou o que antes era apenas uma hipótese: as árvores não só purificam o ar que respiramos e amenizam as temperaturas, mas podem gerar uma economia financeira significativa aos centros urbanos.

Uma pesquisa conduzida em Austin, capital do Texas, utilizando o iTree, estimou que as árvores geram uma economia anual de quase US$ 19 milhões somente a partir da redução dos custos decorrentes do uso de energia. As 33,8 milhões de árvores que cobrem em torno de 31% do território da cidade armazenam em torno de 7 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), quantidade equivalente a um custo de US$ 242 milhões. Além da armazenagem, as árvores também são responsáveis pela remoção de 336 mil toneladas de CO2 por ano da atmosfera, o equivalente a US$ 11 milhões anuais, e reduzem a poluição do ar, em um valor estimado em US$ 3 milhões. Consideradas todas as variáveis, o valor compensatório das árvores de Austin é estimado em US$ 16 bilhões.

Austin, Texas: o valor compensatório das árvores na cidade é estimado em 16 bilhões de dólares (Foto: Sergey Galyonkin/Flickr)

Os números impressionam. Para calculá-los, o iTree usa algoritmos que medem o impacto financeiro da arborização e, ao mesmo tempo, permitem avaliar futuras estratégias de plantio. Desde o lançamento, o programa desenvolvido por Nowak passou por modificações a fim de abranger novas possibilidades de cálculos e, consequentemente, diferentes maneiras de mensurar os benefícios das árvores. Atualmente, o pesquisador trabalha para calcular o valor econômico de outros três impactos da arborização urbana: a redução na temperatura, a absorção dos raios ultravioletas e – talvez o mais desafiador – a redução do estresse.

Estudos já analisaram a influência positiva exercida pelas árvores no que diz respeito aos níveis de estresse das pessoas – morar próximo a áreas verdes deixa as pessoas mais felizes e pode impactar também os índices de agressão e violência. De posse de informações como essa e utilizando imagens de satélite e os dados gerados pelo iTree, Nowak quer classificar essa inter-ralação: “Os níveis de cortisol, hormônio diretamente ligado ao estresse, são mais baixos quando as pessoas veem áreas verdes. A partir disso, queremos desenvolver um índice de quanto verde você pode ver a partir de qualquer ponto de uma cidade, como seu corpo reage a essas áreas verdes e qual o valor econômico dessa relação”.

Com o processo de urbanização ainda em curso, mesmo em cidades de países desenvolvidos, é possível perceber o declínio da cobertura verde nos centros urbanos. Os Estados Unidos, por exemplo, registram uma queda de em média quatro milhões de árvores por ano. Nesse contexto, a possibilidade de calcular os ganhos econômicos da arborização pode contribuir para reverter uma tendência potencialmente catastrófica para a vida nas cidades, além de ajudá-las a pensar em suas árvores de forma estratégica.