Oito ações para dar início a uma nova fase de construções sustentáveis

Este post foi adaptado do texto de Jennifer Layke, publicado originalmente no TheCityFix.

Cidades podem aproveitar as oportunidades transformadoras que práticas em eficiência energética podem proporcionar. (Foto: Trey Ratcliff/Flickr-CC)

O mundo vive hoje uma batalha contra o que o próprio homem produziu de maneira errada e sem os cuidados básicos com o meio ambiente. Muito se discute sobre como reduzir as emissões de gases poluentes geradas pelo trânsito nas cidades. Porém, ainda pouco se fala sobre alterar a forma como são construídas nossas casas, prédios e imóveis em geral, responsáveis por 32% do consumo global de energia e um quarto das emissões de CO2 produzidas pelo homem.

No Brasil, o setor de edificações representa 40% do total da eletricidade consumida no país. Tornar as construções eficientes em energia pode ajudar a alcançar muitas das metas de mitigação de gases poluentes definidas pelas cidades, assim como aliviar consequências geradas pelas mudanças climáticas, por problemas de saúde pública, pelo desemprego e até pela pobreza.

Para guiar governos locais e líderes urbanos ao redor do mundo na implantação de programas de eficiência energética no setor de edificações, o WRI Ross Center for Sustainable Cities desenvolveu o guia Acelerando a Eficiência Energética em Construções: 8 Ações para Líderes Urbanos (Accelerating Building Efficiency: 8 Actions for Urban Leaders), que contextualiza e oferece orientação e ferramentas para acelerar a tomada de ação dentro das comunidades. A publicação oferece um menu de opções, incluindo 8 ações políticas de ampliação de eficiência energética nas construções. Confira:

1 – Decretar a criação de códigos e padrões de eficiência energética em edificações para exigir requisitos mínimos na construção de projetos, obras e/ou operações. Isso pode diminuir as despesas de energia durante toda a vida útil da edificação.

Bruxelas, na Bélgica, obteve grande sucesso com os projetos do Nearly Zero-Energy Buildings. Ao responder às exigências das diretrizes europeias para prédios ocupados ou pertencentes às autoridades públicas, a cidade foi muito além dos requisitos mínimos e aprovou normas ainda mais rigorosas em ritmo acelerado para melhorar o desempenho energético de edifícios novos.

2 – Estabelecer metas de melhoria de eficiência energética. Muitas comunidades definem metas locais para a eficiência energética em edifícios públicos. Governos podem ainda apresentar metas voluntárias para incentivar a ação do setor privado e criar programas como “desafios” para ações em toda a cidade.

Tóquio, no Japão, implementou um programa de controle de emissões de gases de efeito estufa que limita as emissões para infraestruturas industriais e comerciais de larga escala. O programa busca engajar os inquilinos e proprietários de edificações para reduzir em 17% as emissões até 2019.

3 – Coletar informações do desempenho energético de edificações. Compreender o uso de energia nas construções e fazer uma análise comparativa com outras construções semelhantes é uma boa maneira de decidir onde investimentos podem ser feitos. Ter os dados permite que tomadores de decisão acompanhem o desempenho energético em relação às metas de melhorias.

A cidade de Nova York tem feito progressos nessa área, aprovando uma lei que exige que os proprietários de grandes edifícios relatem seu uso de energia. A Local Law 84, que trata dessa política, ainda estimula o desenvolvimento de um dispositivo que prevê a economia de energia nos prédios, a ferramenta Energy Savings Potential (ESP), da Companhia de Eficiência Energética de Nova York.

Raijot, na Índia, é uma das novas cidades a integrar o Acelerador de Eficiência Energética em Construções. (Foto: unci_narynin/Flickr-CC)

4 – Estabelecer programas financeiros, incentivos e outras opções para ajudar os projetos de eficiência a superar as barreiras econômicas, como custos iniciais.

A Armênia tem sido pioneira nessa área. O R2E2 é um programa pioneiro que criou um fundo rotativo para projetos de eficiência e de energia renovável.

5 – Liderar pelo exemplo. Políticas governamentais bem-sucedidas e projetos realizados em edifícios do governo podem criar maior demanda e aceitação para a construção de tecnologias e abordagens de eficiência.

Buenos Aires, na Argentina, lançou seu Programa de Eficiência Energética em prédios públicos, a fim de ajudar a cumprir sua meta de redução das suas emissões globais em 30% abaixo dos níveis de 2008 até 2030. A iniciativa já está sendo executada, com mais de 20 prédios públicos submetidos a auditorias energéticas e implementação de melhores práticas para melhoria da eficiência e desempenho do edifício. Os líderes da cidade estão implantando ferramentas de gestão de energia e novos padrões de sustentabilidade ambiental em novos edifícios públicos, levando a cidade a se aproximar de suas metas de emissões.

6 – Engajar os proprietários dos edifícios, gestores e ocupantes através de parcerias, competições e prêmios. Cingapura criou o Green Leasing Toolkit, que equipa os inquilinos e proprietários com informações sobre como monitorar a eficiência da construção. Esta ferramenta aumenta o desempenho do edifício a partir do zero, e oferece aos inquilinos e proprietários o conhecimento para começar a agir.

7 – Trabalhar com tecnologia, equipamentos e outros prestadores de serviço para desenvolver habilidades e apoiar modelos de negócios e acelerar a demanda de eficiência energética nas construções.

Bainbridge Island, no estado de Washington, nos EUA, está trabalhando com prestadores de serviço de eficiência no desenvolvimento de capacitações através da realização de workshops sobre melhorias técnicas dos edifícios, tais como controle de vazamento de ar. Bainbridge Island também aumentou os padrões para as certificações de construtores e melhorou o ensino para os técnicos que tomam decisões sobre as características das construções.

8 – Trabalhar com serviços que melhoram o acesso a dados sobre o uso de energia e apoiar esforços para reduzir a demanda de energia dos consumidores.

O programa Brasil Energia Inteligente determinou que as empresas do setor elétrico façam investimentos anuais em projetos de eficiência energética em construções. A iniciativa tem incentivado outros programas como o Conviver, que instala luminárias mais eficientes em comunidades de baixa renda, aumentando o desempenho de construções para populações mais vulneráveis.

Porto Alegre é a única cidade brasileira na lista do BEA. (Foto: Anderson Vaz/Flickr-CC)

Acelerador de Eficiência Energética em Construções

Neste mês, 12 novas cidades assumiram o compromisso de acelerar seus esforços no desenvolvimento de construções mais eficientes energeticamente ao juntarem-se ao Acelerador de Eficiência Energética em Construções (Building Efficiency Accelerator, BEA), uma coalização que visa alcançar a meta estabelecida pelo Sustainable Energy for All (SE4All), das Nações Unidas, de dobrar a eficiência energética mundial até 2030.

As cidades – Porto Alegre, a única brasileira; Belgrade, na Sérvia; Bogotá e Medellín, na Colômbia; Coimbatore, Rajkot e Shimla, na Índia; Dubai, nos Emirados Árabes Unidos; Eskisehir, na Turquia; Riga, na Letônia; Santa Rosa, nas Filipinas; e Tshwane, na África do Sul – se uniram a outras 11 cidades que já integravam o programa. Juntas, elas buscarão colher os muitos benefícios que edificações eficientes energeticamente produzem, como a redução da demanda de energia em novas e antigas edificações em 25-50%. Essas novas cidades irão trabalhar com o WRI e mais 30 organizações internacionais em uma parceria multissetorial.