Copenhague terá o primeiro mercado de dados do mundo

(Copenhagen – Fotógrafo: Barnyz/Flickr-CC)

Geramos muitos dados, todos os dias. Essa produção, no entanto, acontece majoritariamente de maneira passiva. Por isso, é primordial saber como utilizamos e quais ferramentas temos disponíveis para lidar com esse grande volume de informações. Esse processo reflexivo incentivou Copenhague, em parceria com a Hitachi, a criar o primeiro mercado municipal de dados. O The City Data Exchange (CDE) será lançado na cidade no dia 18 deste mês, e é um serviço com foco nos dados relacionados aos desafios da cidade. Além disso, o governo da capital dinamarquesa acredita que esse é um passo essencial em direção à meta de ser livre de emissões de carbono até 2025.

A ferramenta é fruto de uma parceria público-privada. O governo municipal investiu cerca de U$ 623 mil dólares para que a Hitachi criasse a ferramenta junto a outras 50 empresas, universidades, ONGS e cidades. Dados gratuitos e pagos estarão disponíveis para o cidadão assinar ou comprar. Frank Jensen, prefeito da cidade, em entrevista ao Cities Today, informou que esse tipo de acesso às informações permite, entre outras coisas, criar novas soluções tecnológicas para a cidade como um todo. E, como se sabe, Copenhague é considerada uma das cidades mais inteligentes do mundo.

Até agora, o City Data Exchange já mapeou 65 fontes de dados abertos em Copenhague. Informações que vão desde natalidade, produção econômica, migração, até clima e estatísticas criminais. Combinando essas fontes abertas com os dados fornecidos pelos cidadãos e comerciantes, o governo espera que a plataforma seja capaz de avançar nas análises que auxiliem a cidade a estruturar seu planejamento urbano sustentável, controle de tráfego e uso de energia, entre outras políticas.

(Interface da plataforma do City Data Exchange)

Sobre o incentivo que o setor privado teria em liberar os dados, o prefeito disse que as empresas podem ganhar dinheiro vendendo suas informações para pessoas físicas. Segundo ele, essa troca é importante principalmente para start-ups e pequenos empreendedores.  Além disso, as empresas podem implementar sua visão de público consumidor e perfis de interesse de maneira mais efetiva. Algo que Antonio Acuña enfatiza ao responder “O que posso fazer com dados abertos”, no artigo “A simple intro to open data” (“uma introdução simples para dados abertos”, em tradução livre), no blog data.blog.uk:

“Trabalhar com dados pode fornecer novos insights sobre um assunto, lhe ajudar a provar um ponto, fornecer seu aplicativo ou serviço web com aquilo que ele necessita para ser executado, além de informar estatísticas financeiras e sociais ou ajudar você a entender o comportamento do cliente”.

No entanto, o modelo de Copenhague é pioneiro apenas no sentido de monetizar e criar um mercado de dados da cidade. Ao que o Diretor do CDE, Peter Bjorn Larsen, faz uma ressalva ao dizer que “o mercado de dados não deve ser visto como um substituto para os portais de dados abertos, mas sim como uma adição a eles”. A plataforma foi baseada na experiência que a cidade de Leeds, na Inglaterra, teve em 2014. Leeds pretendia criar uma estratégia para vencer o desafio das crescentes demandas e da redução de recursos. O plano era habilitar as pessoas e diferentes organizações a explorar as diferentes relações de serviços da cidade e dos negócios. Reuniram, portanto, dados abertos de diferentes fontes em uma plataforma online, e assim a cidade ganhou diferentes insights sobre o seu funcionamento.

A ideia do mercado de dados surgiu em uma reunião de cidades, regiões, companhias e universidades, chamada CLEAN. No congresso dinamarquês, “chegaram à conclusão que o acesso aos dados, públicos e privados, é vital para a criação de novas e inovadoras soluções para as cidades e regiões alcançarem os objetivos de redução de emissões de carbono e manter o crescimento da cidade”, escreveu o Cities Today. Os dados são vistos como essenciais para o futuro das cidades. Vamos continuar acompanhando as iniciativas dos governos, cidadãos e empresas e a forma como estão utilizando e compartilhando as informações. E que seu uso seja sempre no sentido de facilitar o encontro de informações e possibilitar uma análise e aproveitamento para a evolução das cidades.