Identificando a gentrificação a partir de tweets

(Foto: Obsev/Divulgação)

Quando uma área específica da cidade passa por processo de valorização imobiliária, a terra encarece. Com isso, acontece o deslocamento dos moradores da região para áreas em que o custo de vida é condizente com a sua renda. Esse processo é conhecido como gentrificação. Algumas formulações teóricas o identificam como fator negativo que contribui para a fragmentação social e residencial do espaço, urbano enquanto outras entendem que o fenômeno é parte da dinâmica de valorização e de desvalorização urbana ao longo do tempo. Seja qual for o entendimento, identificar que uma área está sendo gentrificada não é tarefa fácil, talvez por não estarmos usando o Twitter e o Foursquare para isso. É o que prevê um estudo de pesquisadores da Universidade de Cambridge.

É preciso pouco tempo de procura nos centros urbanos para encontrar alguém caminhando enquanto desliza o polegar pela tela de um smartphone. Essa conectividade devotada nos torna constantes produtores de dados. De acordo com relatório de 2016 do Banco Mundial, essa expansão digital é desviada para os mais ricos e pessoas que ocupam cargos mais altos. Por isso, muitas vezes, os dados gerados pela internet não podem ser utilizados em estudos. No entanto, um grupo de pesquisadores da Universidade de Cambridge, acredita que para determinar se uma área está sendo gentrificada, as mídias sociais podem ser utilizadas, pois os públicos muitas vezes são equivalentes.

O cruzamento de dados foi pouco testado até então, mas as postagens do Twitter e os check-ins do Foursquare ajudaram os pesquisadores a prever com precisão a gentrificação que ocorreu em Hackney nos últimos anos. O antigo bairro operário era a sexta região mais pobre do Reino Unido e, cinco anos depois, figura no 50º lugar nesse ranking que identifica área pobres e ricas de Londres, enquanto o número de profissionais qualificados subiu de 49% para 64% entre 2004 e 2014. Ainda que pareça positivo, o aumento da renda média entre os moradores eleva o preço dos aluguéis, expulsando residentes de longa data. A gentrificação acontece. As informações são do Outra Cidade.

Foram coletados 549.797 check-ins em mais de 42 mil localidades em posts de 37.722 usuários do Twitter e Foursquare. As métricas consideradas para a pesquisa foram: “a probabilidade de uma pessoa visitar um local sozinho ou com amigos, a probabilidade de alguém ir sozinho até o lugar, a diversidade de usuários que compartilham a localização e a homogeneidade de uma área e seus visitantes”.

Os pesquisadores apontaram alguns bairros carentes propensos a serem gentrificados: Greenwich, Hamlets, Lambeth e Hammersmith, por conta da alta diversidade de visitantes. Apesar dos milhares de tuítes e check-ins analisados, o estudo precisa evoluir muito para comprovar sua eficácia e precisão. O que seria benéfico para mitigar os efeitos negativos da gentrificação. Um exemplo de política são as chamadas Zonas Especiais de Interesse Social de São Paulo. Dessa forma, a tecnologia e os dados gerados na internet podem nos ajudar a manter a cidade mais igualitária e sustentável.

(Fonte: Outra Cidade, Wired)