Projeto quer descobrir quem estimula a mobilidade a pé no Brasil

Apenas 22% da população brasileira se desloca diariamente a pé. (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Os novos planos de mobilidade desenvolvidos em diversos municípios brasileiros já colocam o pedestre como prioridade no cenário urbano. As grandes cidades, atualmente, passam por diversos problemas consequentes do grande número de carros nas vias. Em meio a isso, os deslocamentos a pé surgem em muitos casos como a melhor alternativa. Mas o que está sendo feito para facilitar o caminhar?

O trânsito transformou-se em um desafio diário para muitos brasileiros. Uma recente pesquisa realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) apontou que, em cidades com mais de 100 mil habitantes, 39% da população brasileira passa mais de uma hora no trânsito em suas viagens para atividades diárias, como trabalho e estudo. Desses, 12% ficam entre duas e três horas, e 4% ficam mais de três horas. Além disso, o custo do transporte público também não é o ideal. Um estudo da Fundação Getulio Vargas concluiu que, nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, uma parcela das pessoas precisa trabalhar pouco mais de 13 minutos para pagar uma passagem de ônibus ou trem para chegar ao trabalho. Considerando a renda do trabalhador, essas tarifas estão entre as mais caras do mundo.

Ainda segundo a CNI, apenas 22% da população brasileira se desloca a pé. Essa que é a prática mais natural e econômica de transporte poderia se tornar muito mais usual aos brasileiros se os espaços urbanos fossem propícios à circulação de pedestres.

Um domingo na Avenida Paulista. (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Cidades como Curitiba e São Paulo, por exemplo, já promovem ações para incentivar o transporte a pé. No mês passado, a capital paranaense instalou novas calçadas verdes – ampliações das áreas de calçadas tradicionais, com pintura feita com tinta verde e branca – em cinco cruzamentos. A inspiração do projeto veio de cidades como Nova York e Buenos Aires, que também buscam a requalificação do espaço urbano. Já São Paulo fecha todos os domingos, das 9h às 17h, a circulação de automóveis na Avenida Paulista para que pedestres e ciclistas possam ocupar a área. “É uma tendência internacional de grandes cidades reservarem espaços públicos para que pedestres e ciclistas se encontrem, para que haja uma maior aproximação entre as pessoas. Não só em parques, mas também em vias”, afirmou o prefeito da cidade Fernando Haddad.

Como Anda

Para mapear ações em prol da mobilidade a pé no Brasil, as organizações Cidade Ativa e Corrida Amiga, com o apoio do ICS (Instituto Clima e Sociedade), criaram a pesquisa Como Anda. A ideia surgiu da necessidade de encontrar e reunir dados sobre quem são e como atuam os agentes que promovem ações para pedestres.

Os resultados desses mapeamentos irão ajudar a fomentar novas atuações e viabilizar parcerias entre diferentes organizações. O Como Anda já armazena dados de 24 organizações nacionais. Esse mapeamento é feito de maneira detalhada, onde são analisadas as abordagens e escalas de atuação das organizações. “Compreender esses enfoques permitirá reconhecer para quais níveis estão direcionados os esforços dessas organizações e, possivelmente, identificar escalas nas quais o tema é pouco debatido”, diz a proposta na página do Como Anda.

Através dessa página, é possível participar da pesquisa “Como anda sua atuação pela mobilidade a pé?”. O estudo coleta dados específicos sobre as organizações que já estão envolvidas em projetos de caminhabilidade, mas também examina as que ainda não estão inseridas nesse contexto, para entender o que as impede de atuar com o tema. Os dados coletados estarão disponíveis na plataforma e farão parte de um relatório sobre o mapeamento.