Os recordes consecutivos do aquecimento global

(Foto: Marcelo Maia/Flickr-CC)

Em julho do ano passado, perguntamos aqui até quando aquele mês continuaria sendo o mais quente da história. Durou pouco, os meses seguintes foram batendo o recorde até que, sem maiores surpresas, 2015 foi eleito o ano mais quente da história. Sim, o mesmo ano em que foi assinado o Acordo de Paris, na Conferência do Clima (COP 21) para restringir o avanço dos termômetros a menos de 1,5 grau Celsius. Antes mesmo que o ano acabasse, o Met Office, instituto de meteorologia do Reino Unido, divulgou que 2016 desbancará 2015 como o ano mais quente desde o início dos registros, em 1880. Segundo o instituto, a previsão é que a temperatura média global será 1,14 grau Celsius acima da observada antes da Revolução Industrial.

Apenas um mês depois, janeiro de 2016, já tínhamos um novo mês mais quente da história. De maneira assustadora, o primeiro mês deste ano apresentou o que cientistas chamam de “anomalia de temperatura”, que significa simplesmente um desvio em relação à média de um determinado período. Afinal, foi 1,14°C mais quente que a média do período 1951-1980, período utilizado como parâmetro para medir o aquecimento global.

O registro de anomalias na temperatura global do Met Office mostra que 2014 e 2015 foram os anos mais quentes, e 2016 deverá ser ainda pior – Divulgação/Met Office

E no mês seguinte

Chegamos, portanto, a fevereiro de 2016. Quando a agência espacial norte-americana, a Nasa, emitiu novo comunicado que a temperatura média do planeta esteve 1,35 grau mais alta, ultrapassando o recorde do mês anterior, com seus 1,14 graus. Acompanhando esses recordes de temperatura, o receio humano cresce.

Sabemos dos impactos que o aquecimento global pode ter na vida humana, assim como na saúde da Terra e no fator econômico mundial (que pode sofrer um rombo de US$ 2,5 trilhões no valor dos ativos financeiros em todo o mundo). Contudo, precisamos, antes de analisar essa resposta climatológica do planeta sob o aspecto de responsabilidade que o ser humano possui. Como ressalta esse relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU), sobre incertezas desse momento: “a influência humana sobre o sistema climático é clara, com amplos impactos sobre sistemas humanos e naturais. Além disso, as emissões de gases de efeito estufa são as mais altas da história”.

Em entrevista para O Globo, Tasso Azevedo, coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima, explica que o El Niño começou em setembro de 2015 e pode durar até outubro de 2016, o que causa o aumento das temperaturas.

“Vivemos anos consecutivos batendo recordes de temperatura: 2014 foi o ano mais quente; depois, 2015. Podemos ter entrado em um ponto em que os eventos extremos não vão desacelerar”, assevera Tasso, aqui.

Enquanto isso, uma pesquisa conduzida pela geofísica Ivy Tan, da Universidade Yale sugere que as equações sobre o clima foram alimentadas com os números errados e que a parcela de culpa que cabe ao CO2, liberado por atividades humanas, no aquecimento global é maior do que consideramos até aqui. As informações são do Blog do Planeta.

O mês de março de 2016 foi o mais quente já registrado no Brasil

Enquanto as premissas nos sugerem que estamos em uma espécie de emergência climática no planeta, no Brasil, o mês de março, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), foi o mais quente desde que os registros começaram. O meteorologista Francisco de Assis Diniz, do Inmet, em matéria do Blog do Planeta, informa que esse tipo de medição em território nacional começou em 1961. Ainda segundo Assis Diniz, não dá para atribuir essa onda de calor apenas ao fenômeno cíclico El Niño, que aquece as águas do Pacífico e influencia no clima global. “Para ele, os recordes recentes são consequência do aquecimento global. Isso faz parte de uma tendência maior. O gráfico abaixo mostra como as temperaturas médias do Brasil vem subindo nos últimos anos”, pontua o site.

O mapa abaixo, divulgado pelo Inmet, mostra onde o Brasil esteve mais quente em março de 2016. Em São Paulo, Pernambuco, Bahia, Piauí, Amazonas, Mato Grosso e Roraima, as médias de temperatura ficaram de 2 a 3 graus Celsius acima da média – como mostram os trechos em vermelho mais escuro. Já as áreas azuis representam onde a temperatura ficou abaixo da média: Rio Grande do Sul, partes do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

Mapa com os desvios de temperatura média em março de 2016 (Foto: Inmet)

Abril está em seu oitavo dia. E ontem (7/4), alguns lugares do país já tiveram o dia mais quente em 55 anos. Em Curitiba, a tarde de 7 de abril foi a mais quente em 2016. Precisamos compreender e agir mais em relação ao nosso planeta.

Afinal, somos responsáveis por cada um desses recordes quebrados.