Países em desenvolvimento investem mais em energia renovável do que nações ricas

(Foto: David Dodge, Green Energy Futures/Flickr-CC)

Um recente estudo da UNEP (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) mostra que países em desenvolvimento estão investindo mais recursos em energias renováveis do que países desenvolvidos. Visto como investimento possível apenas para países ricos, o uso de recursos naturais inesgotáveis – excluindo os de energia hidráulica – recebeu o investimento de 285,9 bilhões de dólares no ano passado. Desse total, 155,9 bilhões vieram de países em desenvolvimento – 55%. Em 2014, esse número era de 49%, com 131,5 bilhões de dólares.

Os três principais países em desenvolvimento – China, Índia e Brasil – tiveram um aumento de investimentos em energia renovável de 16%, de 120,2 bilhões de dólares, enquanto as outras economias em desenvolvimento registraram um salto de 30%, com 36,1 bilhões de dólares.

Segundo o relatório Global Trends in Renewable Energy Investment 2016, da UNEP, o que mudou nos últimos dois anos é que o custo reduzido de tecnologias solar e eólica tem tornado viáveis os projetos em economias emergentes fartas em recursos naturais, enquanto os países ricos, em muitos casos, diminuíram subsídios para energias renováveis em vista da preocupação com custos das contas de energia.

Foto aérea do projeto Droogfontein Solar Power, instalado na África do Sul. São 168,720 painéis solares em 100 hectares. (Foto: Droogfontein Solar Power)

A China foi o país que mais investiu em renováveis. Foram 102,9 bilhões em 2015, o que representa um terço dos investimentos do planeta. O Brasil é o sétimo país que mais investe no mundo, com 7,1 bilhões de dólares. Nações como a África do Sul, México e Chile se encontram, atualmente, à beira de uma transformação em energia verde, de acordo com a UNEP.

Em consequência das sérias quedas de luz na África do Sul, por exemplo, o país se comprometeu, em 2010, a lançar uma série de projetos em energia renovável. Espera-se que as novas instalações no país reduzam 500 mil toneladas de emissões de dióxido de carbono anualmente e criem 2 mil empregos por ano durante as fases de construção. A África do Sul aparece em oitavo lugar no ranking, com aumento de 309% em investimentos, para 4,5 bilhões de dólares. O México vem logo depois, com 4 bilhões de dólares investidos e o Chile fecha a lista dos dez países, com aumento de 143%, a 3,4 bilhões de dólares.

Investimentos em energia renovável por país em 2015. (Foto: UNEP, Bloomberg New Energy Finance)

Sem a energia criada pelos recursos renováveis, as emissões globais de CO2 teriam sido 1,5 gigatonelada mais altas em 2015, estima o estudo. O levantamento da UNEP não leva em conta os grandes projetos de energia hídrica, de mais de 50 megawatts, já que essa tecnologia vem sendo desenvolvida há décadas e está em um estágio muito diferente de implantação do que a eólica ou a solar, por exemplo.

Compromissos globais

Um acordo global assinado durante a COP 21 (Conferência do Clima da ONU), em Paris, em dezembro, estabelece que, a fim de frear o aquecimento global, é necessário que se passe a investir 1 trilhão de dólares a mais anualmente em energias limpas até 2050. “Apesar dos sinais ambiciosos mostrados na COP 21 e a crescente capacidade das novas instalações de energias renováveis, ainda há um longo caminho a percorrer”, afirmou o presidente da Frankfurt School of Finance & Management, Udo Steffens.

(Foto: David Dodge, Green Energy Futures/Flickr-CC)

Um novo estudo realizado pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) aponta que 4,2 trilhões de dólares podem ser economizados por ano até 2030 se a atual quantidade de energias renováveis utilizadas fosse duplicada. O relatório do IRENA foi montado utilizando dados de 40 países, representando 80% da energia usada globalmente. Atualmente, a porcentagem de energias renováveis utilizadas é de cerca de 18%.

O uso de uma quantidade dobrada de recursos naturais inesgotáveis reduziria a poluição do ar suficientemente para salvar até 4 milhões de vidas por ano em 2030, segundo o IRENA. Mais que isso, iria limitar o aumento da temperatura global a 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, evitaria a emissão de 12 gigatoneladas de CO2 em 2030 – cinco vezes mais do que o que os países se comprometeram a reduzir através das Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas (INDCs) –, resultaria em 24,4 milhões de empregos no setor de energia renovável em 2030, e ainda aumentaria o PIB mundial em 1,3 trilhões de dólares.