Londres recebe a ajuda de pombos para monitorar os níveis de poluição do ar

(Foto: steve p2008/Flickr-CC)

De acordo com um recente estudo publicado na revista Nature, a poluição mata 3,3 milhões de pessoas por ano no mundo. Esse número significa o equivalente a seis mortes por minuto e, se continuar no ritmo atual, pode dobrar até 2050. Para mapear os níveis de poluição por região e chamar atenção para a causa, Londres ganhou a inusitada ajuda de pombos.

Por muitas vezes serem sujos e estarem por toda a parte, os pombos podem não agradar a todos. Porém, dessa vez, um grupo de seis pombos partiu de um terraço na região de Brick Lane, no leste de Londres, com uma “mochilinha” nas costas e uma causa nobre. A campanha Pigeon Air Patrol, uma parceria entre a empresa de marketing DigitasLBI e a startup Plume Labs, desenvolveu uma moderna e minúscula bolsa que pesa apenas 25 gramas e guarda um sensor que registra o nível de dióxido de nitrogênio no ar e um rastreador de GPS.

(Foto: DigitasLBI)

A ideia do projeto partiu do diretor de marketing da DigitasLBI, Pierre Duquesnoy. Ele disse ao jornal The Guardian que se inspirou no uso que foi dado aos pombos durante a Primeira e Segunda Guerra Mundial, quando as aves serviram para carregar recados. “É como usar um ser visto como um rato voador e transformá-lo em algo positivo”, afirmou. Assim como no período das guerras, os pombos, hoje, podem ajudar a salvar vidas. A poluição do ar em Londres é responsável por quase 9,5 mil mortes por ano e já chegou a ultrapassar os limites de segurança implantados pela União Europeia.

Os animais usados no projeto pertencem ao inglês Brian Woodhouse, que cria os pássaros em sua casa. Eles são pombos-correio e duram em média quatro anos mais do que os pombos de rua, já que recebem tratamento especial do dono, com direito a consultas veterinárias. Norbert, Coco e Julius são alguns dos agora famosos pombos.

Mochila pesa apenas 25 gramas e não prejudica a ave. (Foto: DigitasLBI)

A revoada passeou por três dias pelo céu de Londres fazendo registros e até enviando mensagens pelo Twitter na página oficial da campanha. Os londrinos puderam enviar tweets para a página e obter informações minuciosas sobre a qualidade do ar na sua vizinhança. De acordo com algumas respostas, houve registros de poluição moderada na região Central da cidade, com níveis mais elevados no distrito de Westminster, por exemplo.

Atualmente, o site da Pigeon Air Patrol exibe um mapa de Londres com os pontos verificados pelos pombos e o índice de poluição medido em cada um desses locais. Os níveis usados são baseados nas medições da Organização Mundial de Saúde (WHO).

Londrinos puderam enviar um tweet com o local e receber o nível de poluição. (Foto: Reprodução/Twitter Pigeon Air)

Agora que o trabalho dos pássaros terminou, o grupo AirPatrol, junto da Plume Labs, está procurando 100 pessoas para ajudar a seguir com as medições pela cidade. Em parceria com o Imperial College London, a iniciativa pretende criar a primeira rede humana de monitoramento da poluição atmosférica. O aparelho de medição, similar ao usado pelos pombos, será carregado por moradores que aderirem ao programa e os resultados poderão ser consultados no aplicativo Plume Air Report, que já é usado em diversas cidades como Paris, Nova York, Istambul, entre outras.