Além do turismo: elevador em Salvador é peça importante na mobilidade urbana

Elevador Lacerda, patrimônio histórico de Salvador, transporta 28 mil pessoas por dia (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Quem passeia por Salvador logo se impressiona com a beleza natural da cidade, suas praias e os encantos de suas ladeiras históricas. Entre os cenários mais visitados, está o imponente Elevador Lacerda, com seus 63 metros de altura, considerado símbolo da cidade. No entanto, muito mais do que um ponto turístico, é também transporte coletivo, responsável por levar, aproximadamente, 28 mil pessoas por dia no trajeto entre Cidade Baixa e Cidade Alta. Além dele, outros três ascensores integram as opções de mobilidade urbana da capital baiana.

Com custo de R$ 0,15 por viagem, os ascensores são uma saída garantida para reduzir o tempo de deslocamento. Além do vertical Elevador Lacerda, existem outros três planos inclinados: Pilar, Gonçalves e da Liberdade. E todos agora permitem a entrada de passageiros com bicicletas, incentivando a integração dos modais.

(Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Estivemos na cidade para o seminário “Mais Transporte, Menos Emissões”, organizado pelo WRI Brasil, com apoio da Embaixada Britânica e da Secretaria Municipal de Mobilidade (SEMOB). Para conhecer a organização desordenada do desenho urbano de Salvador, passeamos com Tonny Bittencourt, arquiteto na Prefeitura de Salvador. Foi ele quem nos explicou que os planos e o elevador foram criados devido às dificuldades de ligação proveniente de uma falha geológica, que é dividida em dois platôs. “Eles facilitam de maneira extraordinária o translado entre Cidade Alta e Cidade Baixa. É uma descida muito rápida, além de uma vista maravilhosa da Baía de Todos os Santos e do comércio – os turistas ficam encantados, em especial com o Elevador Lacerda, que se tornou o principal marco urbano na paisagem soteropolitana e, ao longo do tempo, se transformou no símbolo da cidade no âmbito nacional e internacional”, diz.

O valor cobrado até parece simbólico e serve para a manutenção das estruturas. Atualmente, estão sendo realizadas ações para melhorar a acessibilidade dos locais, como colocação de piso tátil. Na área da Cidade Baixa, os ascensores desembarcam próximos a pontos de ônibus, facilitando o acesso às linhas que levam para outros bairros da cidade.

O transporte coletivo da capital baiana conta, hoje, com o elevador e os planos, ônibus urbanos e metropolitanos, táxis, mototáxis, vans, metrô, trem suburbano, ferry-boats e lanchas. Diariamente, são realizadas 4,6 milhões de viagens, sendo 44,2% em transporte coletivo, 32,8% em transporte não motorizado e 23% em transporte individual. Ainda em 2016, Salvador deve dar início à elaboração de seu Plano de Mobilidade Urbana, que está em fase de licitação.

“A mobilidade urbana é um grande desafio para as cidades contemporâneas. A Prefeitura de Salvador, nos últimos 12 meses, gerou várias ações para melhorar a mobilidade da cidade, pensando no fluxo de pessoas e de veículos. As intervenções contam desde a recuperação dos ascensores, passando por requalificação e construção de vias, alteração de sentido de tráfego e ampliação do número de passarelas”, comenta Bittencourt.

Separamos algumas informações interessantes sobre cada um dos ascensores. Confira:

Elevador Lacerda

Considerado o primeiro elevador urbano do mundo, foi inaugurado em 8 de dezembro de 1873. Atualmente, opera com quatro cabines eletrificadas que comportam 32 passageiros cada uma, com circulação de 22 segundos de trajeto. Já passou por cerca de cinco grandes reformas.

Em 2006, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O acesso pela Cidade Alta fica na Praça Tomé de Souza, no Centro Histórico de Salvador, junto à sede da Prefeitura e da Câmara de Vereadores. Ali, foram construídos os primeiros prédios da cidade, inaugurada em 1549. É passagem, também, para quem está na Cidade Baixa e quer chegar ao Pelourinho.

Hoje, chega a transportar 900 mil passageiros por mês. Durante o Carnaval, a tarifa é gratuita.

Plano Inclinado Gonçalves

Também fica no Centro Histórico de Salvador. É um dos mais antigos da cidade, atrás da Catedral Basílica da Sé, e liga o bairro do Comércio ao Pelourinho.

Possui duas cabines tipo bonde regular, com capacidade de transportar 36 passageiros. Foi inaugurado em 25 de dezembro 1889, com nome de Plano Inclinado Isabel, em homenagem a então herdeira da coroa brasileira, Princesa Isabel do Brasil.

Plano Inclinado Pilar

Localizado no bairro do Pilar, junto ao bairro do Comércio na Cidade Baixa de Salvador, no estado da Bahia. O plano liga a Rua do Pilar, ao bairro do Santo Antônio Além do Carmo, na Cidade Alta.

Foi construído em 1897 e a linha foi eletrificada entre 1912 e 1915. Em 1984, quanto transportava cerca de três mil passageiros por dia, foi desativado. Voltou a funcionar em 2006, após ser totalmente recuperado, com novos carros que têm capacidade de 20 passageiros. No entanto, foi desativado mais uma vez no início de 2013, por falhas na segurança. Apenas em 2015 é que voltou a funcionar.

Hoje, seu funcionamento ocorre diariamente entre 8h e 19h, com fluxo de 600 pessoas por dia.

Plano Inclinado da Liberdade/Calçada

Fica no bairro da Liberdade com ligação ao bairro Calçada, onde existe a Estação de Trem da Calçada, e foi inaugurado em 1981. No local, existia a “Ladeira do Inferno” que, quando chovia, virava lama e as pessoas tinham que descer agachadas e escorregando. Esse era o caminho de acesso ao bairro da Calçada.

Na ultima década ficou um longo tempo parado, necessitando de reparos. Em 2014,foi reinaugurado. Também foi recuperada a praça em frente, tanto na parte da Calçada quanto na parte da Liberdade, melhorando assim a acessibilidade e a paisagem urbana.

Atualmente, o plano é utilizado por cerca de 12.000 pessoas por dia de segunda a sexta, sendo 6.500 somente aos sábados e mais 2.500 aos domingos.

Outras ações de mobilidade em Salvador

A atual gestão da cidade praticou uma série de intervenção na mobilidade urbana de Salvador. Entre elas, estão medidas que visam melhorar a qualidade do transporte coletivo, com tarifas acessíveis e renovação da frota de veículos. Além disso, a cidade conta com o programa Salvador vai de Bike, programa de compartilhamento de bicicletas com 20 estações e três ciclofaixas.

Com as bicicletas laranja, o tempo de utilização é de 45 minutos ininterruptos e o custo é de R$ 10 por ano. Elas podem ser retiradas e devolvidas em qualquer uma das estações.

(Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Já as bicicletas azuis só podem ser retiradas ou devolvidas nos bicicletários, sendo que, por enquanto, existem apenas dois: um na Península Ribeira e um na Praia na Barra. Essas podem ser utilizadas por 4 horas por dia, ao custo de R$ 1 ao ano.

“Com isso e outras intervenções, Salvador já está melhorando e pode se tornar uma metrópole viável em termo de mobilidade urbana. É uma cidade turística, cultural e funcional”, conclui Bittencourt.