Maior favela flutuante do mundo encontra na sustentabilidade um meio de prosperar

Escola flutuante de Makoko (Foto: Forgemind ArchiMedia/Flickr)

Soluções sustentáveis podem ser alcançadas nas mais críticas e diversas situações ao redor do mundo. Prova disso está na construção de uma escola no meio da Lagoa Lagos, localizada na maior cidade da Nigéria, Lagos, onde está instalada a comunidade de Makoko, a maior favela flutuante do mundo. A estrutura foi instalada para atender as necessidades dos habitantes, que sofrem com o impacto das mudanças climáticas e da rápida urbanização ocorrida na África.

Makoko é um lugar difícil de imaginar. Lagos foi fundada como uma vila de pescadores no final do século 19. Com o aumento populacional, os habitantes tiveram de se mudar para a água. Hoje, Makoko é composta  por seis vilas espalhadas em terra e água na costa da Nigéria. Quatro dessas vilas estão sobre a água.

(Foto: Rainer Wozny/Flickr)

A lagoa transformou-se em uma série de canais onde as “ruas” são formadas por palafitas, casas construídas de madeira e sustentadas por estacas, e canoas trafegam como táxis, transportando moradores e turistas. Não existem dados oficiais sobre a população de Makoko, porém o número estimado é de 100 mil habitantes. A comunidade parece já estar acostumada a viver neste mundo cercado por água, apesar de isso implicar conviver com o mal cheiro e inúmeras doenças.

Para ajudar na adaptação dessas pessoas, o arquiteto nigeriano Kunlé Adeyemi  encontrou nos diversos tipos de materiais e madeiras espalhadas pela lagoa um meio sustentável de ajudar. Inaugurado em 2013, a invenção de Kunlé foi pensada para ser uma escola, porém se transformou em um local de convívio para a comunidade e de referência em Makoko, que não tem hospitais.

Escola flutuante

Estrutura da escola flutuante (Foto: Forgemind ArchiMedia/Flickr)

Com formato triangular, a estrutura foi construída com uma série de tábuas de madeira paralelas sobre uma plataforma de 100 m² sustentada por barris vazios. Para realizar o trabalho, o arquiteto contratou moradores locais com o objetivo de ensiná-los para que pudessem, posteriormente, construir suas próprias casas. Painéis de energia solar no telhado e um sistema de captação de água tornam a escola quase inteiramente sustentável.

No primeiro andar, foi instalado um espaço público verde para entretenimento. No segundo, está a sala de aula, com capacidade para cem alunos, e o terceiro andar também é usado para aulas, mas não tem paredes laterais. A água coletada da chuva fica armazenada em coletores abaixo da linha da água. A estrutura é flutuante e se adapta às mudanças da maré e às variações do nível da lagoa, grande benefício em relação às outras construções, que sofrem frequentes inundações. O local está ancorado, mas pode ser movido conforme seja necessário.

(Foto: Heinrich-Böll-Stiftung/Flickr)

Segundo o jornal inglês The Guardian, graças à escola, o governo de Lagos anunciou, em abril do ano passado, que considera incorporar a estrutura em um plano de regeneração de toda a comunidade de Makoko. “Este é um momento raro e significativo na História, onde a inovação foi, finalmente, combinada com uma reconsideração aberta das políticas estabelecidas”, afirmou Kunlé. “Esse é um importante sinal para chamar a atenção para os interesses local e global, fundamental para enfrentar desafios e oportunidades consequentes da rápida urbanização e das mudanças climáticas”.