Atenuando o cinza: a floresta flutuante holandesa e as mil orquídeas paulistanas

Um terço da cidade de Roterdã, na Holanda, é composto por água. Essa característica, aliada à falta de espaço entre as construções urbanas, levou o coletivo Mothership a olhar na direção do oceano quando pensou em adicionar mais áreas verdes à cidade. A solução foi encontrada na obra de arte de um artista colombiano, que simulava uma floresta flutuante em um aquário. O coletivo decidiu, portanto, elevar as proporções. A intenção de trazer mais cor e vida para a rotina da cidade holandesa é semelhante ao que um casal está fazendo nas margens do Rio Tietê em São Paulo, com flores.

(Foto: Divulgação/Mothership)

Os holandeses se inspiraram na obra de arte do artista colombiano Jorge Bakker, chamada “In Search of Habitus”. A obra de Bakker (foto abaixo) consiste em pequenas árvores ancoradas por boias e intenciona evocar questões primordiais sobre o relacionamento entre a vida urbana e a natureza.

Obra “In Search of Habitus” de Jorge Bakker (Divulgação/Mothership)

A floresta flutuante será instalada em março. Todas as árvores escolhidas para compor a intervenção estavam no Banco de Árvores de Roterdã, pois foram retiradas de seus lugares de origem por conta de obras e construções. Elas serão replantadas em boias marítimas inutilizadas pela prefeitura. Tornando, dessa maneira, a política da reutilização palavra de ordem para a realização do projeto. O local específico do porto onde a floresta flutuante será instalada também estava sem uso atualmente.

Projeção gráfica do resultado do projeto (Divulgação/Mothership)

Recentemente fizemos um post sobre a importância da arborização urbana e a diferença que a cor verde pode fazer para a nossa saúde física e psicológica. Projetos como esse dialogam diretamente com essa reflexão, pois adicionam um pouco de vida ao cotidiano das cidades e atenuam o aspecto cinzento que o asfalto e os prédios nos submetem.

Em São Paulo, o projeto de intenções semelhantes, foi intitulado “Mil Orquídeas Marginais“. Idealizado pelo orquidófilo Alessandro Marconi e pela produtora Carolina Sciotti. O casal descobriu, em livros de botânica, que no século passado as orquídeas eram flores abundantes nas margens do Rio Tietê.  Por isso, em outubro de 2014, o casal realizou um financiamento coletivo para levantar os custos para tornar esse cenário uma realidade novamente. .

Arrecadaram cerca de R$ 23 mil. Desde então as orquídeas estão sendo plantadas. Muitas delas já estão florescendo. O resultado pode ser visto nas fotos abaixo.

(Divulgação/Mil Orquídeas Marginais)

(Divulgação/Mil Orquídeas Marginais)