Energia solar na comunidade: projeto instala painéis fotovoltaicos no Morro da Babilônia

Projeto promove a instalação de painéis solares no Morro da Babilônia, no Rio de Janeiro (Foto: RevoluSolar/Reprodução)

Os benefícios da energia renovável estão chegando às comunidades cariocas. O Morro da Babilônia, na zona sul, recebeu a instalação dos primeiros painéis solares no final de janeiro. A novidade é resultado do trabalho da RevoluSolar, que desde outubro de 2015 promove o uso de energia renovável em favelas da capital carioca.

Pol Dhuyvetter, belga radicado há sete anos no Brasil, é o fundador da associação, que tem como objetivo para 2016 instalar painéis em pelo menos 1% das residências da Babilônia. Além das duas casas que já receberam as células, outros cinco interessados já estão na fila. Embora o investimento seja alto no início, Dhuyvetter argumenta que o valor pago tem retorno em aproximadamente seis anos e, a longo prazo, os gastos são compensados pela economia gerada.

O financiamento para as instalações é realizado através da AgeRio (Agência Estadual de Fomento), que oferece até 15 mil reais em microcrédito para os moradores e empreendedores das comunidades com juros de 0,25% por mês. O primeiro passo para a instalação dos painéis, conforme explica Dhuyvetter em entrevista à Agência Brasil, é a análise da conta de luz: “Na nossa moradia, que tem um bar, um restaurante e uma pousada, precisamos de 24 painéis. Nosso consumo no último mês foi de quase mil reais. Nós colocamos 12 painéis, que custaram R$ 21 mil, e vão suprir a metade do consumo. A estimativa é de que, no máximo em seis anos, tenhamos o retorno do investimento. E depois teremos luz de graça por 19 anos, considerando a duração de 25 anos de uma instalação solar. A estimativa de lucro é de R$ 129 mil em 25 anos. E pode ser mais, se o preço da luz subir”.

Na Bélgica, Dhuyvetter é integrante da cooperativa Ecopower há 20 anos. Mesmo em um país com taxas de iluminação solar mais baixas que a do Brasil, o sistema beneficia em torno de 47 mil pessoas. O Brasil, em comparação, ainda tem muito a avançar no que diz respeito à energia solar: a meta é gerar 3,5 mil megawatts de energia solar até 2023, menos de 2% da capacidade instalada de fontes elétricas – em 2014, esse índice era de 0,05%.

São cada vez mais recorrentes os períodos de racionamento de recursos como água e energia – um sinal claro de que nossos padrões de consumo precisam mudar. Levar fontes de energia renovável às comunidades, que carecem de gestão eficiente e de novos parâmetros para a sustentabilidade social, econômica e ambiental, é mais um passo para garantir, ao mesmo tempo, preservação dos recursos e qualidade de vida para as pessoas.

(Fonte: Agência Brasil)