Cientistas chilenos trabalham no desenvolvimento de árvores resistentes às mudanças climáticas

(foto: gsimpson/pixabay)

Os impactos das mudanças climáticas no escopo agrícola são cada vez mais considerados nas análises científicas. Eventos como secas, diminuição das chuvas periódicas, aumento de calor e tempestades podem afetar nossa agricultura, como é destacado pelo relatório da Força-Tarefa sobre Eventos Climáticos Extremos e Resiliência do Sistema Alimentar Global. No esforço de reverter essa situação, o conjunto de técnicas utilizadas para cultivar plantas tem sido estudado sob a perspectiva do aquecimento global por pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Fruticultura (CEAF) do Chile. Desde 2009, eles trabalham no desenvolvimento de espécies de árvores frutíferas que sejam resistentes às intempéries climáticas. As superárvores, como nomearam, podem começar a ser comercializadas em 2019.

Nos últimos três anos, as mudanças climáticas estiveram entre os cinco maiores riscos mundiais de acordo com Relatório de Riscos Globais, publicado anualmente pelo Fórum Econômico Mundial. Em 2016, o fator climático aparece pela primeira vez como a ameaça mais grave e de maior impacto.  De acordo com o WWF, um aumento da temperatura do planeta entre 2 e 3 ºC poderia colocar em risco 43% das florestas e suas espécies, e que 40% das florestas da Amazônia poderiam se transformar em ambientes com estrutura similar a de um cerrado muito mais pobre em diversidade de espécies

Tais dados asseveram a importância do experimento dos cientistas chilenos que acontece na região de O’Higgins, onde opera o Centro de Estudos Avançados em Fruticultura (CEAF). No local, existem 25.684 hectares dedicados ao cultivo de pêssegos, nectarinas e cerejas, o que representa a metade da superfície dedicada no Chile a estes cultivos. “Estamos centrados em trabalhar as raízes, o programa está focado em obter novos materiais vegetais para os porta-enxertos”, destacou Felipe Gainza, Diretor da Linha de Melhoramento Genético do Centro de Estudos em reportagem da Agência EFE.

Os pesquisadores realizam testes em nível fisiológico para determinar quais mudanças são geradas dentro da planta. Testam a adaptação da planta frente às mudanças, e em nível de campo. Em 2011, os cientistas iniciaram o cruzamento de nove seleções de porta-enxertos de caroços de fruta a fim de fazê-los mais tolerantes às condições extremas.

“Por exemplo, no híbrido entre uma pessegueira e uma amendoeira, esta última apresenta a resistência à seca e tolerância aos nemátodos, um parasita do solo que afeta as raízes”, explica Maurício Ortiz, Diretor do CEAF, para a EFE.

Técnicas de biotecnologia são utilizadas para clonar os genes das plantas resistentes e tolerantes por meio de seu DNA e, dessa forma, desenvolver ferramentas moleculares que ajudam a selecionar os porta-enxertos desenvolvidos pelos cientistas.

De acordo com a matéria da Agência EFE, as superárvores podem começar a ser comercializadas a partir de 2019, e estarão aptas a enfrentar eventos como secas, diminuição do regime pluviométrico e concentração em curtos períodos de tempo de ventos, geadas e tempestades, tudo isso como consequência do aquecimento global.