Espaço para quantos?

Ônibus preso no congestionamento em Seattle: divisão desigual do espaço viário prejudica pessoas e cidades (Foto: clappstar Flickr)

Há 25 anos, a cidade de Münster, na Alemanha, tornava-se a pioneira em uma campanha que não tardou a se espalhar por outras cidades do mundo. Em 1991, a prefeitura da cidade divulgava a imagem que se tornaria clássica para comparar o espaço ocupado nas ruas pela mesma quantidade de pessoas em carros, ônibus e bicicletas:

(Fonte: Bicycling in Münster)

  • De bicicleta, as 72 pessoas da foto ocuparam 90 metros quadrados.
  • De carro, as 72 pessoas foram divididas em 60 veículos, a partir da ocupação média da cidade na época (1,2 pessoa/carro) e ocuparam 1.000 metros quadrados.
  • De ônibus, as 72 pessoas embarcaram num só veículo, ocupando 30 metros quadrados.

Na sequência da imagem acima, muitas outras vieram. O objetivo: ilustrar o desequilíbrio do espaço viário.

Um quarto de século mais tarde, deparamo-nos com um olhar renovado sobre o clássico. Em janeiro desde ano, o jornal Folha de S. Paulo realizou o projeto fotográfico “Ensaio sobre o aperto” e mostrou que os carros ocupam 17 vezes mais espaço para transportar o mesmo número de pessoas que um ônibus.

Em um trecho fechado da Avenida Pacaembu, 48 pessoas em frente às lentes de Avener Prado e Eduardo Knapp demonstram a discrepância no uso da via em três situações: primeiro sentadas em bancos, como se estivessem dentro de um; depois, sobre bicicletas; e, ao fim, em uma área equivalente à de um vagão.

 

 

Para ir ao trabalho, à faculdade, à casa dos amigos, a uma festa – diariamente dependemos dos deslocamentos no ambiente urbano, em diferentes momentos do dia e regiões da cidade. E a escolha a respeito de como essas viagens serão feitas – a pé, de ônibus, de bicicleta, de carro – é consequência direta das condições oferecidas para e por cada um dos modos.

Um ônibus ocupa 17 vezes menos espaço para levar o mesmo número de pessoas que 40 carros. As bicicletas, além de menos espaço, não poluem. Faz sentido que ambos sejam prejudicados por congestionamentos e falta de locais adequados para circular? Equilibrar a divisão do espaço viário a dedicar a parcela devida para ônibus e bicicletas é seguir uma lógica consideravelmente simples: estabelecer as prioridades certas para uma mobilidade urbana mais sustentável, justa e eficiente.

(Fonte: Folha de S. Paulo)