Possível mudança de cenário para a energia solar no Brasil

Para entender o possível crescimento de geração de energia solar no Brasil é preciso, antes, conhecer a Resolução Normativa nº 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que implementou o Sistema de Compensação de energia Elétrica. É esse conjunto de regras que permite aos consumidores a instalação de seus próprios meios de geração de energia. Entre eles, os painéis solares fotovoltaicos são os mais populares. Um dos objetivos traçados pelo documento é regulamentar a troca de energia entre o âmbito residencial e a distribuidora local, no intuito de reduzir o valor da conta de luz para os consumidores. No entanto, desde 2012, segundo a Aneel, foram instaladas 1.285 centrais geradoras, sendo 1.233 (96%) com a fonte solar fotovoltaica, 31 eólicas, 13 híbridas (solar/eólica), 6 movidas a biogás, 1 a biomassa e 1 hidráulica. Um número baixo se comparado com outros países. O que levou a Aneel a convocar audiência pública no final de 2015 para realizar alterações na Resolução.

As novas regras foram aprovadas e entram em vigor no dia primeiro de março deste ano. Segundo relatório da própria Aneel, entre as modificações, consta que, agora “será permitido o uso de qualquer fonte renovável, além da cogeração qualificada, denominando-se microgeração distribuída a central geradora com potência instalada até 75 quilowatts (KW) e minigeração distribuída aquela com potência acima de 75 kW e menor ou igual a 5 MW (sendo 3 MW para a fonte hídrica), conectadas na rede de distribuição por meio de instalações de unidades consumidoras.”

(Foto: Unplashed/Pixabay)

As novas regras permitem, inclusive, que os cidadãos instalem seus painéis em outros locais. Um exemplo, se você quer instalar o painel em um terreno para compensar a energia do seu escritório, no centro da cidade. Antes, era obrigatório que o local de instalação fosse o local onde a energia era compensada. Conforme destacou o Blog do Planeta em excelente matéria: “essa medida beneficia moradores de condomínios, por exemplo, ampliando o mercado para a energia solar”.

A nova estrutura regulatória permite grupos se organizem para dividir os custos de instalação dos painéis fotovoltaicos. Assim, organizados em cooperativas ou consórcios, os cidadãos poderão dividir a compensação da energia gerada em suas contas de luz.  A figura da “Geração Compartilhada” como intitulou a Aneel tende a impulsionar as possibilidades desse tipo de produção de energia.

O cenário da energia solar no país apresenta tendência ao aumento, a ANEEL prevê que com as novas regras do Sistema de Compensação, até 2024 cerca de 1,2 milhão de unidades consumidoras passem a produzir sua própria energia, totalizando 4,5 gigawatts (GW) de potência instalada.

No cenário atual, o uso da energia solar é uma excelente alternativa. O investimento é compensando financeiramente e ambientalmente. Quer saber se vale a pena, tire suas conclusões com o auxílio do Simulador Solar. A ferramenta calcula quanto geraria (e economizaria para seu bolso) um sistema fotovoltaico.