Investimento em infraestrutura cicloviária pode gerar economia de US$ 25 trilhões às cidades

Estudo mostra o impacto econômico do investimento em infraestrutura cicloviária (Foto: Gosia Malochleb/Flickr)

O que aconteceria se as pessoas nas demais cidades do mundo pedalassem tanto quanto em Amsterdã, onde os deslocamentos feitos de bicicleta representam 40% do total?

Se o resto do mundo atingisse apenas um quarto dos números de Amsterdã no que diz respeito ao uso da bicicleta, as cidades poderiam gerar uma economia de 700 bilhões de dólares por ano – o equivalente a 25 trilhões entre 2015 e 2050. O número está no estudo A Global High Shift Cycling Scenario, publicado em novembro de 2015, que mostra o potencial de contribuição das bicicletas no transporte urbano, tanto em termos de qualificação da mobilidade quanto de sustentabilidade para os centros urbanos.

Os benefícios apareceriam também na qualidade do ar: as emissões de carbono seriam reduzidas em quase 11% até 2050 – ao passo que, se mantiverem o ritmo atual, podem dobrar no mesmo período. Lew Fulton, um dos autores da pesquisa, defende: “Uma cidade planejada para o uso da bicicleta pode melhorar significativamente a mobilidade a um custo muito baixo quando comparada a uma cidade planejada para os carros”.

Isso porque, entre outros fatores, a cidade despenderia menos recursos à construção de vias, enquanto as pessoas gastariam menos para comprar e manter um carro. Embora o estudo não mencione, também seriam reduzidos os gastos com a saúde. Cidades com menos carros registram menos acidentes, e as pessoas se exercitariam mais e teriam menos problemas desencadeados pela poluição. Além disso, é possível citar ainda a redução dos custos com a queda de produtividade em decorrência das horas em que as pessoas perdem presas em congestionamentos.

Na medida em que as cidades crescem, em população e número de veículos nas ruas, coloca-se a oportunidade de fazer as mudanças necessárias para garantir que as próximas gerações escolham – e possam – se deslocar de bicicleta e não de carro. Alguns bons exemplos mostram que é possível fazer essa transição e aumentar a participação da bicicleta na distribuição modal. Em Sevilha, na Espanha, os deslocamentos feitos de bicicleta passaram de 0,5% do total em 2006 para 7% em apenas sete anos. Construir cidades menos dependentes dos automóveis é um passo fundamental para avançar no desenvolvimento sustentável; acima de tudo, um passo possível de ser dado.

(Fonte: Fast Co.Exist, ITDP)