Plataforma reúne informações sobre o uso da bicicleta em cidades de todo o mundo

(Foto: Jenene Chesbrough/Flickr)

Se coletados e utilizados adequadamente, dados podem ser uma ferramenta de transformação da realidade. Do conhecimento da dinâmica das cidades ao desenvolvimento de soluções urbanas, são instrumentos fundamentais para a criação de impactos positivos e de larga escala na vida das pessoas.

No que diz respeito ao uso da bicicleta, o acesso a informações como os locais e horários em que o modo é mais utilizado é essencial para garantir e direcionar investimentos em um setor carente, tanto de informações quanto de recursos. Quanto mais dados disponíveis, maior o poder de influência sobre os tomadores de decisão e aqueles que têm o poder de tornar as cidades mais sustentáveis e amigáveis ao transporte não motorizado. Dessa necessidade, nasceu o Bike Data Project.

A plataforma reúne dados referentes aos deslocamentos de bicicleta em cidades do mundo todo a fim de fornecê-los aos departamentos de transporte e mobilidade municipais. Departamentos de transporte e mobilidade e planejadores urbanos precisam desses dados, por exemplo, para desenvolver infraestrutura cicloviária e garantir segurança a quem usa a bicicleta para se locomover. Muitos ciclistas já contabilizam seus dados por meio de outros aplicativos – a união desses dados em um mesmo banco tem o potencial de se tornar uma valiosa fonte de informações para as gestões municipais. (Saiba como contribuir.)

O projeto traz informações dos cinco continentes, incluindo número de viagens, distâncias percorridas, duração dos deslocamentos, toneladas de CO2 evitadas e velocidade média. No Brasil, já foram contabilizadas 4.178 viagens e 40 mil quilômetros percorridos, evitando a emissão de 5 toneladas de CO2. A campeã nos números, até aqui, é São Paulo.

(Fonte: Bike Data Project/Reprodução)

Além dos benefícios mais óbvios – são meios de transporte não poluentes e que fazem bem à saúde –, as bicicletas ocupam pouco espaço em cidades gradativamente mais “ocupadas”, seja por pessoas, seja por carros. Nos Estados Unidos, congestionamentos custam 121 bilhões de dólares por ano em combustível e tempo perdido. Em Los Angeles, 70% da área urbana é dedicada à infraestrutura dedicada aos carros, entre ruas e estacionamentos. E em São Paulo, as pessoas podem gastar até três horas por dia no trânsito.

Em um contexto como esse, os modos de transporte não motorizados surgem como alternativa para a construção de cidades mais sustentáveis. Muitos planejadores urbanos já têm essa consciência, mas outros tantos ainda precisam ser convencidos. Para isso, o mote do projeto: quanto mais dados disponíveis, maior o impacto.