Cidades na COP 21: a importância da troca de conhecimento entre as cidades

Os debates da COP 21 foram repletos de painéis, sessões e eventos que acrescentaram conhecimento àqueles que os assistiram. As vozes, sobretudo, apontaram as as cidades como elemento substancial para combater as mudanças climáticas. A partir da troca de experiências entre pessoas do mundo todo, procurava-se uma solução para a crise climática. E um dos caminhos se voltou para a cooperação entre cidades, como forma de fomentar a mobilidade sustentável nos diferentes continentes.

Durante o painel que aconteceu no dia 4, foi explicado como a colaboração entre as cidades pode acelerar os processos em favor da mobilidade sustentável. A mesa foi composta por Oliver Lah, do Instituto Wuppertal para o Clima, Meio-Ambiente e Energia; Andre Dzikus, da ONU-Habitat; Karen Vancluysen, da Polis; e Magdala Arioli, do WRI Brasil Cidades Sustentáveis.

Belo Horizonte e o projeto Solutions

A Coordenadora de Projetos de Transporte e Clima do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, Magdala Arioli, destacou o exemplo de Belo Horizonte, cidade brasileira que, por meio do projeto SOLUTIONS, firmou uma parceria com a cidade de Bremen, na Alemanha. Essa troca de conhecimento possibilitou que a capital mineira elaborasse e incorporasse algumas estratégias eficientes de mobilidade urbana sustentável.

Magdala falou sobre as principais metas do Plano de Mobilidade de Belo Horizonte, o PlanMob-BH, que busca otimizar o uso do espaço urbano, reduzir o risco de acidentes envolvendo veículos e amenizar os impactos ambientais. Além disso, o plano de Belo Horizonte tem como objetivo reduzir as emissões de gás carbono em 27% até 2020, bem como economizar 23% do tempo de viagem dos cidadãos e 18% dos custos de transporte.

(Foto: Cíntia Freitas/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

O escopo da cidade alemã serviu de inspiração para BH. Em Bremen, 26% dos deslocamentos são feitos em bicicletas – condição conquistada ao longo do tempo por condições culturais e topográficas locais, mas reforçada por uma infraestrutura exclusiva para bicicletas. Belo Horizonte entendeu a importância de valorizar o transporte ativo – hoje, apenas 0,4% de seus deslocamentos são feitos por meio de bicicletas – e estabeleceu a meta de construir 300 quilômetros de ciclovias até 2030.

Por fim, Magdala apresentou o projeto de implantação de Zonas 30 da capital mineira. Essas áreas, onde a velocidade máxima permitida é de 30 km/h, disseminam a sustentabilidade e a preservação das vidas no trânsito. São, acima de tudo, espaços em que a convivência entre pedestres e os diversos meios de transporte é respeitada.