Estudo projeta o que aconteceria com cidades costeiras com o aquecimento do planeta em 4ºC

(Reprodução/Climate Change)

Nos últimos dias foram divulgadas inúmeras chamadas noticiosas preocupantes. Por exemplo, que a temperatura do planeta subiu, pela primeira vez, desde a Revolução Industrial, mais de 1ºC. Ritmo inédito provocado pela emissão de gases de efeito estufa. Atrelado a isso, um estudo sobre as consequências do inevitável aquecimento global foi divulgado neste final de semana, apenas três semanas antes do início da Conferência do Clima de Paris (COP21).

O estudo do Climate Central trata a perspectiva de o que aconteceria se as emissões de gases do efeito estufa seguirem nesse ritmo, o que levaria o planeta ao aquecimento de 4ºC. A pesquisa aponta que, atingindo este panorama, o nível das águas subiria, em média, 8,9 metros, provocando a submersão de áreas onde 600 milhões de pessoas vivem atualmente. As estatísticas analisaram também o aquecimento de 3ºC, em que o nível da água do mar subiria 6,4 metros, cobrindo áreas com mais de 400 milhões de habitantes.

Agora, se a temperatura do planeta aumentar até o limite proposto pela comunidade internacional e permanecer abaixo dos 2ºC, o mar subiria 4,7 metros e duas vezes menos pessoas seriam afetadas.

No decorrer do ano, os países apresentaram propostas e alternativas de como podem contribuir para esse esforço coletivo. As Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas, os chamados INDCs, são documentos com as pretensões dos países para reduzir e remover as emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE). Todos os governos devem apresentar, no sentido de conseguir um acordo climático global, suas propostas.

Na última semana, entretanto, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) declarou em seu “Emissions Gap Report” (Relatório da Lacuna de Emissões) que as INDCs apresentam algum progresso, porém, ainda não são suficientes. 146 países já entregaram suas propostas, afirma o Pnuma, mas, na melhor das hipóteses, eles seriam capazes de derrubar as emissões até 54 GtCO2/ano em 2030. Para evitar o acréscimo de 2°C, porém, seria preciso que as emissões baixem até 42 GtCO2/ano.

O Programa, contudo, ressalta alguns caminhos em que há espaço para a redução de emissões por meio de ganhos na eficiência de consumo energético, na produção de energia por fontes renováveis (como painéis solares e turbinas eólicas) e redução do desmatamento.

Cidades submersas
Na perspectiva de aumento de 4ºC, o estudo aponta que seriam afetadas: Índia, Bangladesh, Vietnã, Indonésia, Japão, Estados Unidos, Filipinas, Egito, Brasil, Tailândia, Birmânia e Holanda. Entre as principais cidades contam-se Hong Kong, Calcutá, Dacca, Jacarta, Xangai, Bombaim, Hanói, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Nova York e Tóquio.

Sendo a China o país mais afetado: com 4ºC, a subida das águas afetaria uma área onde vivem atualmente 145 milhões de pessoas, de acordo com este estudo que não avalia a evolução demográfica, nem a construção de infraestruturas, como diques.

Projeções

Os números são assustadores por si só, mas o Climate Central, além de realizar o estudo, decidiu projetar o impacto da elevação do nível do mar de forma visual.  O artista visual Nickolay Lamm projetou como seria a situação em várias cidades costeiras, inclusive o Rio de Janeiro. Abaixo:

Nova York

 

Londres

Sidney

Rio de Janeiro

Shanghai

O estudo baseia-se em dados de satélites sobre o nível dos oceânicos. As projeções levam em consideração a dilatação do oceano quando aquecido, o degelo de geleiras e a degradação das calotas polares. Essa elevação será diferente em cada uma das regiões.

Em entrevista para a Agência Lusa, alguns especialistas opinaram sobre o estudo. Segue:

Steven Nerem, da Universidade do Colorado (EUA) analisou a metodologia do estudo e concluiu que existem “alguns erros em locais”, mas considerou ser “o melhor que se pode fazer com os dados públicos disponíveis”.

Jean-Pascal van Ypersele, do grupo internacional de peritos sobre o clima (GIEC), afirmou tratar-se de “um estudo sólido”.

Para o oceanógrafo Ben Marzeion, da Universidade de Bremen (Alemanha), os dados apresentados no estudo “podem representar um incrível fardo para muitas gerações futuras”.

Enquanto isso

As operações e preparações para a COP21 não param. Nesta semana, cerca de 60 ministros do Meio Ambiente de todo o mundo se reuniram, em Paris, entre domingo e hoje (10/11) para preparar a conferência. Os ministros aproveitaram o encontro para debater divergências e as várias etapas necessárias para alcançar a ambiciosa meta global de limitar o aumento da temperatura global.

É preciso, enfim, ter a consciência do que precisamos mudar. O caráter assustador das projeções realizadas pelo Climate Central deve servir como gatilho de impulso, não o contrário.

Acompanhe a série Nossa Cidade deste mês, estamos falando sobre a COP21.