Walking bus e a cidade de amanhã

Foto: Comuni di Milano/Flickr

Já experimentou andar a pé por uma grande cidade brasileira? Pode ser muito bom, pois essa prática permite apropriar-se do espaço urbano, encontrar pessoas, exercitar o corpo e, quando planejamos o tempo de deslocamento, normalmente não há atrasos, pois pedestres não ficam presos em congestionamentos. Mas sabemos que essa experiência também tem pontos negativos, principalmente no que se refere às calçadas inapropriadas, inexistência de faixas de pedestres e esperas muito longas em cruzamentos. Entretanto, os problemas não se limitam à infraestrutura urbana, já que a falta de educação no trânsito prejudica muito os deslocamentos a pé. Motoristas que não param nas faixas de pedestres, que andam em altas velocidades ou estacionam em calçadas e ciclovias são apenas alguns exemplos.

Porém, uma ideia simples e genial pode ajudar a mudar essa realidade.

Em 1991, o australiano David Engwitch idealizou o sistema de walking bus, para que as crianças de um determinado bairro ou região possam ir a pé para a escola, juntas e de maneira segura. O sistema conta com um rota pré-estabelecida, horários e paradas definidas, como uma linha de ônibus. Mas ao invés das rodas, as pernas, e ao invés do motorista, um ou dois adultos guiam as crianças no percurso.

A ideia já foi adotada em diversos países, como Inglaterra, Estados Unidos, França, Suíça e Alemanha, e muitos benefícios foram atribuídos ao walking bus, tais como:

  • Incentivo à atividade física.
  • Desenvolvimento da autonomia das crianças, que aprendem estratégias para caminhar nas ruas de maneira segura.
  • Aumento da consciência do quanto “caminhável” é uma comunidade, e quais melhorias devem ser implementadas.
  • Aumento da consciência ambiental.
  • Redução dos congestionamentos e da poluição.
  • Promoção das relações sociais entre vizinhos e colegas.

A ideia chegou na região francófona da Suíça em 1998 com o nome de “Pedibus”, e o sucesso foi tanto, que a Associação Suíça de Transportes e Meio Ambiente criou um site a fim de promover esta prática, com dicas de implementação do sistema, regras de segurança, material gráfico e exemplos de boas práticas. Atualmente, mais de 250 linhas estão registradas no site, onde as rotas e demais informações estão disponíveis. Vale ressaltar que todas as iniciativas foram organizadas pela comunidade (pais, professores, alunos) pois, segundo a associação, o sistema poderia ser institucionalizado, mas uma maior autonomia por parte dos participantes permite uma melhor adaptação às diversas situações e necessidades encontradas.

Material informativo do Pédibus. Fonte: Association transports et environnement – ATE.

 

Enfim, os benefícios do “ônibus pedestre” demonstram que, como defende o arquiteto dinamarquês Jan Gehl, priorizar a escala humana no planejamento urbano pode promover cidades mais animadas, seguras, saudáveis e sustentáveis. E quando pensamos na educação no trânsito, incentivar a cultura da rua, do próximo e da caminhada nas crianças de hoje não seria uma solução para citadinos mais conscientes no futuro, sejam eles pedestres, ciclistas ou motoristas? Não seria essa umas das iniciativas a serem adotadas na busca de uma cidade mais humana? Acredito que sim.

 

Fontes: www.pedibus.ch (Suíça), www.piedibus.it (Itália), www.walktoschool.org.uk/ (Inglaterra), www.gamah.be (Bélgica)