El Niño pode ser o mais quente dos últimos 65 anos

Diante de uma primavera com ares de verão, já estamos preparados – ou pelo menos nos preparando – para um verão intenso. As previsões incitam a imaginação ao nível que podem chegar os termômetros denominando o conhecido fenômeno El Niño como El Niño monstro ou Super El Niño. Temperaturas que ultrapassem os 40ºC poderão ser vistas por vários dias seguidos nos locais tradicionalmente mais quentes como Rio de Janeiro, Piauí e Tocantins. Meteorologistas apontam que os termômetros podem registrar calor até 4ºC acima da média.

O fenômeno está relacionado ao aquecimento das águas do Pacífico Sul e, em geral, à elevação das temperaturas globais. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, o EL Niño deste ano pode ser tornar um dos quatro mais quentes dos últimos 65 anos.

O verão poderá ser agravado, além do El Niño intenso, pelo aquecimento global e as ilhas de calor das cidades. O climatologista José Marengo, chefe de pesquisa do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em entrevista para O Globo, destaca que o calor e a seca anômalos não se devem propriamente ao El Niño, mas a fatores como o aquecimento simultâneo do Atlântico e do continente. “Esse aquecimento produz área de alta pressão, um escudo indesejado contra frentes frias e, dessa forma, chuvas.” Marengo não vê motivos para acreditar que este El Niño será o pior das últimas décadas como apontam estudos, mas acredita que a situação pode se agravar.

(Foto: Fernanda Carvalho/Fotos Públicas)

O climatologista Carlos Nobre, atualmente na presidência da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), afirma a possibilidade de um verão seco em várias partes da Amazônia e também registrará menos chuvas do que a média no Nordeste. O Sul do país, por sua vez, será castigado por chuvas mais intensas. A grande incógnita para os especialistas é o que acontecerá no Sudeste.

“O verão terá temperaturas mais altas no Sudeste, isso podemos dizer, por conta da influência do El Niño. Mas não dá para saber ainda como será o regime de chuvas”, diz Nobre em entrevista ao G1.