Lideranças visionárias debatem questões urbanas urgentes na Cúpula de Prefeitos

Representantes da Cúpula discutem rumos para o futuro sustentável para as cidades. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

As lideranças visionárias que reinventaram suas cidades e hoje são exemplos de vontade política, gestão e foco no desenvolvimento sustentável abriram a Cúpula de Prefeitos, no início desta tarde, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro.

Ken Livingstone (Londres), Jaime Lerner (Curitiba), Mary Jane Ortega (San Fernando), Enrique Peñalosa (Bogotá) e Sam Adams (Portland) foram recebidos por Andrew Steer, Presidente do WRI; Ani Dasgupta, Diretor do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis; Luis Antonio Lindau, Diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis. A cerimônia teve como anfitrião o prefeito Eduardo Paes e a presença do Presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Marcio Lacerda.

“Temos aqui hoje uns dos lideres que fazem parte da revolução das cidades. Vamos aprender muito com eles nestes dias e com as cidades brasileiras presentes aqui. Muitas cidades brasileiras estão liderando essa revolução. O grande problema é que as cidades estão crescendo da forma errada. Por anos construímos nossas cidades através do automóvel, o que desencadeou em mortes no trânsito, poluição. Vamos discutir, hoje e no Congresso, formas de superar isso”, afirmou Steer.

A Cúpula de Prefeitos e o Congresso Internacional Cidades & Transportes, que acontece dias 10 e 11 de setembro, marcam os 10 anos de atuação da EMBARQ no Brasil. Durante toda a tarde, os ex-prefeitos compartilharam histórias, barreiras e vitórias que os elevaram ao patamar de líderes transformadores.

“Este evento celebra 10 anos da EMBARQ, organização que tem sido parceira da cidade do Rio com a rede de BRT da cidade, que contará com 150 km. O investimento no transporte coletivo de alta capacidade é um dos maiores legados olímpicos que deixaremos para a cidade. Estou honrado em participar deste encontro hoje para construir cidades mais sustentáveis”, agradeceu o prefeito Eduardo Paes.

Na plateia, 350 pessoas – entre elas, mais de 100 representantes municipais de diversas partes do mundo – acompanharam o debate a fim de aprender com as experiências de sucesso dos prefeitos internacionais e, assim, vencer os obstáculos que ainda se interpõem à construção de cidades mais humanas e sustentáveis. “É uma honra estar no evento que também celebra os 10 anos da EMBARQ no Brasil. A organização tem sido uma parceira fundamental de muitas cidades brasileiras em muitos projetos de transporte. Belo Horizonte tem muito a agradecer à organização, pois tivemos uma evolução vigorosa do transporte público nos últimos anos, com a assessoria da EMBARQ Brasil”, agradeceu Lacerda, prefeito de BH.

Gestão e liderança por cidades mais igualitárias

Luis Antonio Lindau, Diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, durante o lançamento do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis no Brasil (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Mediados pelo Presidente do WRI, Andrew Steer, os integrantes da Cúpula de Prefeitos foram provocados, na primeira rodada de debates nesta tarde, a apresentarem as ‘receitas’ para tornar suas cidades locais ambientalmente responsáveis e socialmente mais igualitários. Ken Livingstone (Londres), Jaime Lerner (Curitiba), Mary Jane Ortega (San Fernando), Enrique Peñalosa (Bogotá), Sam Adams (Portland) e o anfitrião e Prefeito do Rio, Eduardo Paes, enfrentaram cenários diferentes entre si, mas utilizaram soluções semelhantes para enfrentar a burocracia e a oposição.

Liderança, gestão e planejamento foram as diretrizes que guiaram estes líderes para transformações reais. Para que o planejamento seja traçado, porém, é necessário construir o objetivo que se deseja alcançar com clareza, comentou o moderador Andrew Steer, que lançou a questão para o debate: “quando você se tornou prefeito, qual foi a visão que idealizou para a sua cidade?”

Eduardo Paes tem a importante missão de construir um dos maiores legados públicos que a cidade do Rio já teve, com a realização dos Jogos Olímpicos. “Diria que a renovação do Porto Maravilha é um símbolo do que queremos para nossa cidade: que a cidade esteja mais próxima das pessoas; que não percam muito tempo em deslocamentos e vivam mais a cidade”, declarou. Para o prefeito do Rio, um passo importante para a construção da visão comum de cidade é encontrar os pontos fracos. “Temos que ter clareza para onde queremos ir, de modo estratégico. Precisa-se definir quais são os problemas, a partir de dados, quando existem. Assim temos ideia de o que se deve lidar”, finalizou.

Com o apoio dos dados, Ken Livingstone assumiu a prefeitura de Londres e sabia que algo urgente precisava ser feito para combater os congestionamentos da capital inglesa. Decidiu, com apoio da equipe técnica municipal, implementar o ousado programa de taxação de congestionamento (congestion charge) em áreas centrais. “Se eu não resolvesse o problema do congestionamento, sabia que Londres poderia perder seus residentes para Paris, Bruxelas ou outras capitais globais”, explicou. A oposição foi dura, mas os resultados atuais mostram que o esforço valeu a pena: a cidade garantiu um aumento de 14% mais usuários no transporte coletivo. “O congestion charge ocasionou uma grande ascensão no uso do transporte coletivo. Se eu tivesse que escolher, eu faria isso de novo”, finalizou.

A ousadia acompanhou também Peñalosa. O ex-prefeito de Bogotá implantou o emblemático sistema BRT TransMilenio, que hoje transporta 2,2 milhões de pessoas por dia em 113 km de corredores de ônibus. Também liderou uma revitalização em ampla escala de espaços públicos e parques urbanos e construiu mais de 250 km de ciclovias. “Quando você dá mais espaço para o carro do que para pessoas, você passa a mensagem que os carros são mais importantes que as próprias pessoas, e não é isso que queremos. Pela primeira vez, mudamos essa lógica. Tentamos construir uma cidade mais justa e sustentável”, explicou. “Durante minha gestão quisemos dar mais felicidade às pessoas, mas é um conceito muito relativo, então partimos para a equidade e construir uma cidade onde todos se sintam iguais e sintam satisfação de andar nas ruas”, declarou Peñalosa.

Mudanças climáticas, desafio para cidades e prefeitos

Mary Jane Ortega e Ken Livingstone durante debates dessa tarde no Rio. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Após um breve intervalo, a discussão foi retomada com uma das mais pungentes preocupações contemporâneas – as mudanças climáticas. Andrew lançou o questionamento sobre iniciativas que líderes municipais podem tomar para mitigar os efeitos das mudanças no clima e lutar contra o problema. Jaime Lerner, ex-prefeito de Curitiba assinalou que as muitas preocupações que assolam a vida urbana nas cidades hoje não podem ser esquecidas por seus líderes: “O esforço que uma cidade faz no sentido de melhorar a qualidade de vida das pessoas repercute em todos os outros aspectos da vida urbana. Nenhuma cidade pode se afastar dos problemas de suas populações, mas todas precisam manter a preocupação com os problemas que afetam toda a humanidade: mobilidade, sustentabilidade e sociodiversidade”.

Sam Adams, que liderou a transformação em Portland, reforçou a importância de repensarmos nossos hábitos e o que isso pode representar na prática, no dia a dia nas cidades: “Quanto mais as pessoas deixam de dirigir, ou passam a dirigir menos, mais elas economizam – deixam de gastar comprando e mantendo carros e contribuem para reduzir emissões e melhorar a qualidade do ar e da própria vida nas cidades. É um desafio para moradores e prefeitos, mas precisamos enfrentá-los, dialogando e trocando experiências, a fim de evitar erros já cometidos”.

Prefeita de San Fernando, nas Filipinas por três mandatos, Mary Jane Ortega recebeu diversos prêmios por suas realizações como prefeita. Vinda do continente asiático, onde os estragos causados pelas mudanças no clima são mais frequentes, ela assevera: “Provavelmente muitos aqui não sintam diretamente os efeitos das mudanças climáticas. Mas quando vemos dez mil pessoas mortas por um furacão mudamos nossa perspectiva. Em cidades asiáticas, fenômenos naturais devastam milhares de pessoas. Por isso, estou feliz de fazer a minha parte. Ela pode ser pequena, mas é mais um passo em direção à mudança”.

Um presente para as cidades

Como forma de marcar seus dez de atividade com as cidades brasileiras, a EMBARQ Brasil lançou o livro “Mobilidade em 1 Instante”. A publicação une fotografias e textos para contar a história de dez cidades com as quais a EMBARQ Brasil trabalhou na última década. Rejane Fernandes, nossa Diretora de Relações Estratégicas & Desenvolvimento, sintetizou o que representa a publicação do livro: “Com este livro, nós comemoramos os dez anos de atuação da EMBARQ Brasil. Ele traz histórias de dez das cidades que fizeram parte da nossa história e nessa última década. São momentos de mobilidade – um passeio na praça, um encontro, um olhar. É um presente da EMBARQ Brasil para todos aqui hoje”.

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